Acervo do génio desaparecido ainda muito jovem é agora património colectivo
Luís Pinho, o artista à frente do seu tempo
18-05-2017 | por Joana Gomes Costa
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«Luís Pinho. O Absoluto da Arte Numa Obra Inacabada» é o título da exposição patente nos Paços da Cultura de S. João da Madeira e que mostra ao público, pela primeira vez em 50 anos, o acervo de quatro dezenas de pinturas da autoria deste artista sanjoanense que viveu “à frente do seu tempo” e que um acidente de viação levou demasiado cedo.
Foi numa emotiva sessão que a exposição foi inaugurada, perante familiares e amigos que fizeram questão de marcar presença nesta homenagem a “Mané”, como era carinhosamente apelidado pelos mais próximos, a 16 de Maio de 2016, o dia que completaria 71 anos, partilhando o dia de aniversário com a Cidade cujo desenvolvimento não teve oportunidade de testemunhar. Esta exposição é assim “uma bela prenda”, como lembrou emocionado Daniel Pinho, irmão do artista falecido em Abril de 1968, agradecendo, em nome da família, o empenho na organização desta iniciativa a todos os envolvidos.
Luís Manuel de Pinho foi apresentado pelo presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Ricardo Figueiredo, como “um artista e pessoa à frente do seu tempo”, cuja obra parece ser o prenúncio de uma revolução social e cultural vivida no final da década de 60 do século XX e que, tragicamente, não chegou a testemunhar.
“Hoje temos em S. João da Madeira uma vida cultural com que Luís Pinho terá sonhada”, aventou o autarca, sublinhando que a iniciativa de fazer a exposição com o acervo que o artista deixou é uma forma de “honrarmos o nosso passado colectivo e a história da nossa cidade”.
Coube a Flores Santos Leite, que conheceu Luís Pinho, a introdução à exposição. Ressalvando que não é “um crítico de arte”, mas antes “um sanjoanense sobrevivente do tempo”, recordou “Mané” como um “artista da verdade”, de quem escreveu, no catálogo da exposição que «não fora uma morte prematura por acidente aos 22 anos, hoje seria uma revelação na arte pictórica a competir com os grandes do Mundo da Beleza e do Belo, merecendo ascender a um estrelato de primeira grandeza».
Neste mesmo catálogo, o arquitecto sanjoanense Sidónio Pardal recorda o «espanto» quando via «a facilidade» com que o seu primo desenhava e pintava, salientando «a espontaneidade do traço decidido, o emergir das formas com uma fluência mágica, a harmonia das cores, a elaboração surpreendente dos contrastes, a capacidade de idealizar e visualizar imagens, revelavam o seu talento inato».
Refere ainda as dificuldades que Luís Pinho enfrentou na escola, onde o seu «dom excepcional» para o desenho e pintura foi desprezado, tendo o artista sofrido «as agruras de um sistema de ensino inculto e obscuro» que o marginalizou.
Ainda em vida, o reconhecimento público do seu mérito como pintor começou com uma exposição no Teatro Avenida em S. João da Madeira e que se repetiu em Lisboa na Associação dos Estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
A par com a memória, Luís Pinho deixou um acervo de 43 pinturas que a família se compromete a «salvaguardar para sempre», como escreveu Sidónio Pardal.

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