Seis meses depois de ter sido constituído
Centro Humanitário da Cruz Vermelha afirma-se no apoio social
18-05-2017 | por Joana Gomes Costa
Seis meses depois de se ter constituído como Centro Humanitário, a delegação da Cruz Vermelha em S. João da Madeira tem-se afirmado no apoio social que presta à comunidade sanjoanense, mas também da região. Os projectos e ideias multiplicam-se na mesma medida do entusiasmo com que a equipa de voluntários trabalha a cada dia para dar resposta aos desafios e necessidades das famílias que apoiam.
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Embora com pequenas oscilações, a cada mês, os números dos apoios assegurados pelo Centro Humanitário de S. João da Madeira da Cruz Vermelha escrevem-se às dezenas e centenas. Dezenas de apoios ao nível de roupa e calçado. Centenas de apoios de bens alimentares. E vários outros exemplos poderíamos citar para demonstrar o alcance do trabalho desta instituição que, no último mês, apoiou 65 famílias sanjoanenses ao nível dos cabazes alimentares, num total da ordem das 190 pessoas.
Relembre-se que a delegação de S. João da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa, que integra a Rede Social do concelho, foi constituída como Centro Humanitário em Dezembro de 2015, altura em que Joana Correia assumiu a função de directora técnica da instituição. Seis meses passados, a equipa conversou com os jornalistas para fazer um balanço do trabalho realizado e apresentar alguns dos projectos já lançados ou projectados para o futuro.

Da Horta Comunitária a novos projectos solidários

Um projecto já concretizado pelo Centro Humanitário é a Horta Comunitária, criada no âmbito do Orçamento Participativo da Junta de Freguesia de S. João da Madeira. Inaugurada no passado mês de Março, a Horta já começou “a apoiar” (com alface e morangos) os cabazes mensais que a instituição atribui a cerca de 65 famílias, num total de 190 indivíduos, como sublinhou Iolanda Santos, assistente social voluntária no Centro Humanitário.
Iolanda Santos avançou ainda que é objectivo da instituição “potenciar a Horta”, utilizando, por exemplo, os produtos ali cultivados para “criar uma marca de biscoitos e doces”, tendo o Centro Humanitário apresentado uma candidatura a um programa de apoio à concretização de projectos sociais para a dinamização de workshops direccionados para as famílias, nomeadamente para melhor aproveitamento dos géneros alimentares que compõem os cabazes.
“A Horta será trampolim para outros projectos”, afiançaram os responsáveis, garantindo o envolvimento da Junta em todos estes processos e lembrando que a Horta foi já a base para um protocolo firmado com o Hospital de Dia de Psiquiatria.
Foi precisamente com os produtos cultivados na Horta Comunitária que o Centro Humanitário participou no Mercadinho Sustentável realizado no âmbito da Semana da Terra 2017.
O Centro Humanitário presta também apoio ao nível das respostas a vítimas de violência doméstica. José Ferreira é psicólogo voluntário na instituição, onde presta apoio a nível psicológico e de “reestruturação do projecto de vida”. Actualmente, o Centro acompanha cerca de 20 casos, que são referenciados por outras instituições, incluindo a APAV.
Mas são muitos os projectos que a equipa do Centro Humanitário de S. João da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa tem em cima da mesa, como Joana Correia descreve.
Ao próximo Orçamento Participativo da Junta de Freguesia de S. João da Madeira, a instituição vai candidatar-se com o projecto «Frigorífico Solidário». Partindo da realidade da “pobreza envergonhada”, este frigorífico estará disponível para quem precisa de ajuda e ali poderá encontrar bens alimentares, e para quem quiser ajudar, deixando ali o seu contributo.
Ao Prémio BPI Sénior, o Centro Humanitário vai apresentar o projecto que visa dar resposta ao apoio nocturno a idosos, serviço que “não existe em S. João da Madeira” e pode “ser uma boa resposta complementar” aos apoios já prestados por outras entidades no concelho.
No âmbito do programa EDP Solidária, a representação da Cruz Vermelha em S. João da Madeira vai apresentar o projecto «Mercearia Social». O objectivo passa por “concentrar todo o apoio alimentar do concelho” num único espaço, a localizar num espaço da sede do Centro Humanitário, onde ao “beneficiários dos apoios sociais” poderão comprar os bens alimentares, sendo que as “transacções são feitas em sistema de créditos”.
Se ideias, projectos e iniciativa não faltam no Centro Humanitário de S. João da Madeira da Cruz Vermelha, o financiamento continua a ser a “batalha” da instituição, como sublinha a directora, Joana Correia.
O psicólogo José Ferreira destaca o “voluntariado com sentido de causa tremendo” da equipa que diariamente dedica parte do seu tempo ao serviço dos utentes do Centro Humanitário, mas alerta que “é preciso financiamento para fazer mais um bocadinho”. Uma convicção partilhada por toda a equipa.

O «Fê» é mais que Terapia da Fala

Do trabalho desenvolvido por Filipa Graça no âmbito da Terapia da Fala nasceu o projecto «Fê é só um». Um projecto que surge da constatação de que “as pessoas têm uma ideia muito limitada do que é a Terapia da Fala”, explica Filipa Graça, acrescentando que o que tem “para desenvolver é algo mais”.
Assim, o «Fê», representado graficamente por um simpático dinossauro, divide-se em “quatro valências”, cada uma com objectivos e propósitos distintos. Filipa Graça começa por explicar o «Fê: Fala Para +1», que se traduz na vertente solidária de todo o projecto, no âmbito do qual 30 por cento do valor pago por cada pessoa nas consultas de Terapia da Fala reverte para outra criança ou jovem desfavorecido. “Três crianças asseguram 90 por cento do apoio de outra cuja família não possa suportar os cursos”, explica a terapeuta, garantindo que este “é o filho preferido do Fê”.
O «Fê» é ainda: «Fê: Não é Efe» (programa preventivo de desenvolvimento precoce de competências de linguagem e metalinguagem, destinado a crianças dos 0 aos 8 anos); «Fê: Fazer Melhor» (programa de “acompanhamento mais típico e abrangente”, com apoio individualizado e personalizado para todas as idades); e «Fê: Formar +» (pretende ser um espaço de partilha com realização de acções de formação, workshops, conversas ou sessões de esclarecimento, para pais, professores e outros profissionais ligados à educação ou saúde, por exemplo).
O projecto «Fê é só um», ao qual Joana Correia disse não ter ficado indiferente, considerando que o Centro Humanitário “seria o sítio certo” para o lançar, vai ser publicamente apresentado no próximo dia 30 de Maio, pelas 18h30, no Auditório do Museu da Chapelaria.

Comentários
Anónimo | 18-05-2017 17:00 Quando há competência...
Nestes seis meses que se passaram desde que a Drª. Joana Correia foi nomeada para o cargo que ocupa na Delegação da Cruz Vermelha de S. João da Madeira, a referida Delegação parece ter entrado na normalidade das suas funções humanitárias, sem convulsões que afectam ou abrandam a intencionalidade do serviço a prestar aos carenciados são-joanenses. O que demonstra que a competência é sempre uma componente imprescindível que um líder - neste caso, uma líder - deve ter, para elaborar um plano minimamente sustentado que possibilite atingir os objectivos de uma instituição como a CV. É mérito da Drª Joana e dos seus colaboradores.

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