Ricardo Pinho, ex-fisioterapeuta da equipa sénior de futebol da AD Sanjoanense, em entrevista
“Fiquei com a sensação que tenho de voltar outra vez à Sanjoanense”
18-05-2017
Aos 28 anos, Ricardo Pinho conta já com passagens por vários clubes de futebol do distrito de Aveiro, incluindo a AD Sanjoanense, na época 2014/15. Tempos que deixam saudade, e que o próprio gostava que se voltassem a repetir. Há sensivelmente dois anos iniciou o projeto Fisiopinho, em S. João da Madeira, juntamente com a esposa, e mesmo não pertencendo aos quadros do clube, não deixa de ser visitado por caras bem conhecidas dos adeptos alvinegros. Partilhando de uma paixão pelo futebol, Ricardo não consegue estar longe dos relvados, e este ano colabora com o Cesarense CF.
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A primeira experiência desportiva aconteceu no São Roque, em período de licenciatura. Olhando para trás, qual o balanço que faz desse período?
Foi uma experiência boa e má ao mesmo tempo. Foi uma transição bastante grande, porque uma coisa é estar a aprender e treinarmos outros colegas, outra coisa é apanhar a realidade da profissão. É bom, porque se mexe com casos reais, mas foi mau porque estava no terceiro ano, e fui um bocadinho atirado aos lobos. Estava à espera de ter alguém que me orientasse, mas não foi esse o caso, e tive de me ‘virar’ sozinho. Mas aí a coisa boa é que me obrigou a estudar e a pesquisar mais, e sobretudo, a superar-me. Há coisas no futebol que são inerentes à modalidade, mesmo na parte da fisioterapia temos de aprender que são intrínsecas, e só se aprende vivenciando a experiência. Nesse aspeto, foi ótimo, mas não aconselho ninguém a começar num clube.

Ainda assim, é seguro dizer que criou uma boa ligação com os jogadores?
Sim, por acaso tenho essa boa experiência em todos os lados por onde passei. Fiquei com grandes amizades, e acho que isso é o mais importante, porque é aquilo que permanece.

Qual foi o projeto que se seguiu?
A seguir ao São Roque, terminei o curso, ou seja, só estive uma época no clube. O curso também envolveu vários estágios, e estive por exemplo em Guimarães, Sever do Vouga, Santa Maria da Feira, Espinho e Lourosa. Depois de terminar a licenciatura, abracei um projeto no futsal, no Dínamo Sanjoanense, onde estive também uma época. Para além disso, também prestei apoio a mais duas equipas - o Arrifanense (futsal) e o São Roque -, mas aí já não era fisioterapeuta principal.

Até que surge a experiência na equipa sénior da AD Sanjoanense...
Sim, depois disso surgiu o convite da AD Sanjoanense, na época 2014/15. Não estava nada à espera, porque foi um bocadinho em cima da hora, e na altura o vice-presidente teve uma conversa comigo, onde me explicou a ambição do projeto, e eu que sou sanjoanense, resolvi aceitar. Depois de entrar lá, foi amor à primeira vista. É uma coisa surreal, não obstante as muitas dificuldades que ocorreram durante a época. Foi com muita mágoa que saí, por opção própria, e fiquei com a sensação que tenho de voltar outra vez à AD Sanjoanense.

Enquanto estava no clube, já tinha o seu primeiro projeto em crescimento: a Fisiopinho. A experiência na AD Sanjoanense ajudou de certa forma a colocar o seu nome na cidade?
Aconteceram um pouco as duas coisas ao mesmo tempo. Eu não estava à espera do convite da AD Sanjoanense, e enquanto isso já estava com este projeto em andamento, que começou em maio de 2015. Como estava a abrir um espaço, até achei importante dar-me a conhecer na vertente desportiva e estar associado à maior instituição desportiva da cidade. Nesse aspeto, a AD Sanjoanense deu-me uma grande visibilidade.

Quantos colaboradores tem a fisioterapia?
Neste momento somos só dois, eu e a minha esposa, que também é fisioterapeuta, embora cada um vocacionado na sua área. Eu estou mais na parte desportiva e ortopédica e ela está mais na parte neurológica e pediátrica, embora saibamos fazer quase tudo os dois, mas cada um tem a sua especialidade.

Mesmo depois da saída da AD Sanjoanense, vários jogadores alvinegros e ex-alvinegros continuam a visitá-lo...
Criei ligações fortes com praticamente todos os jogadores, ainda que muitos deles tenham depois seguido os seus caminhos. Por exemplo, o André Pereira que está no FC Porto, o Rúben Alves do SC Braga, o Edu Pinheiro do Sporting CP, o Ronan do Rio Ave, o Ricardo Tavares da Oliveirense e o Rúben Neves que está no Salgueiros costumam cá passar, para além dos jogadores da AD Sanjoanense, essencialmente os que ficaram do ano passado, como o Danilo, o Pardal, o Júlio, entre outros. Tudo gente muito boa, e têm sempre as portas abertas, porque tenho prazer em colaborar com tudo o que esteja ligado à AD Sanjoanense.

Com dois anos de fundação, qual o balanço do crescimento da Fisiopinho?
Quando abri a Fisiopinho, a minha intenção era tentar mudar um pouco o nome da fisioterapia, porque as pessoas tinham pouca noção do que era realmente a fisioterapia. Não querendo estar a ferir suscetibilidades, acho que a fisioterapia que se vê por aí é uma amostra muito pequena daquilo que podemos fazer. Tentei ir por outro caminho, ou seja, não ter muitas pessoas, mas trabalhá-las. O meu objetivo foi sempre o paciente, não temos um limite de horas, trabalhamos apenas por marcação e assim damos um atendimento diferente. Também utilizamos a fisioterapia ao domicílio, mas mais naqueles casos de pessoas com falta de mobilidade. Claro que preferimos que o paciente se desloque até à fisioterapia, porque temos muitos mais recursos e espaço, mas a fisioterapia ao domicílio tem de ser uma realidade. Temos muita população idosa e cada vez mais temos de nos saber adaptar. Temos tido um crescimento muito grande, e posso dizer que quando abri a fisioterapia tinha uma média de 2/3 pacientes por dia, e agora temos 15/20 pacientes por dia, todos os dias, o que é ótimo. É o reconhecer do que fazemos. E depois aquilo que mais gosto nesta profissão é que não precisamos de grande publicidade, precisamos apenas do cliente satisfeito. Felizmente, quase todas as semanas temos recebido pacientes novos, e isso enche-nos de orgulho.

Uma vez intensamente ligado ao desporto, e em particular ao futebol, como analisa o papel atual do fisioterapeuta nessa realidade?
No desporto, cada vez mais é preciso dar valor aos fisioterapeutas, e que nos deem espaço para trabalhar. Eu felizmente em quase todos os clubes por onde passei tive essa abertura, mas muitos colegas não têm essa abertura, em que treinadores, dirigentes e presidentes têm necessidade de interferir e não nos dão essa liberdade de trabalhar e decidir. Eu acho que temos de bater o pé e fazer um pouco de pressão, para que nos seja dada essa liberdade e essa responsabilidade de termos a autonomia de poder decidir, e de ser uma parte integrante na recuperação do jogador. Só assim é que conseguimos evoluir.  

Quais são os desejos para o futuro?
Eu tenho um projeto estruturado na minha cabeça que passa por um centro de reabilitação de alta competição, ou seja, mais uma vez voltado para o desporto. Isso seria o meu apogeu, a cereja no topo do bolo, e é algo pelo qual estou a lutar.

 

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