Reflexos
Um passo em frente e logo… dois a trás
04-05-2017 | por Fernando Moreira
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Naquela (quase inteira) semana do final do mês de Março, quando ao final da tarde de quarta-feira se concluíam os preparativos para os Nacionais de Natação de Inverno no extraordinário Complexo Olímpico de Piscinas de Coimbra, por largos momentos daria comigo a imaginar como um tal acontecimento desportivo nacional, poderia – muito bem – acontecer justamente nesta nossa cidade.
Não, caros leitores d’ O Regional, não estou a sonhar tampouco a exagerar. A nossa realidade, a realidade intrínseca dos autarcas que nos vão governando não dá decisivamente para mais. Há muito… considero verdadeira cegueira o seguidismo à ideia de desporto do então presidente Castro Almeida. Ricardo Figueiredo ainda que não residente, é de facto um sanjoanense nado e criado em raízes genuinamente locais. Não teria necessariamente, de seguir o pensamento daquele “sanjoanense” que, a dada altura, afirmou-se como sendo um cidadão do Porto…
Ricardo Figueiredo tem vindo sucessivamente a anunciar que a piscina do Souto Moura é mesmo para construir. Compulsiva ideia, tão falha de imaginação que, o tempo que entretanto decorreu entre o chumbo ao projecto e a actualidade seria mais do que suficiente para repensar a piscina. E, estou certo, concluiria que um investimento na ordem dos seis/sete milhões de euros, justificariam antes, um equipamento que levasse a cidade a outros horizontes que, não apenas ao limite de fronteiras locais de ambição francamente curta. Insistir na piscina encomendada pelo antecessor é ideia castradora e sobretudo de expectativa constrangedoramente pobre.
Não podendo afirmar-se que Souto Moura copiou o modelo da piscina de Oliveira de Azeméis, o que julgo saber e penso, é que algumas autarquias terão optado por aquele modelo de piscina – tanque de 25 metros com um apêndice equivalente a duas pistas com 50 metros – de conveniência, prioritariamente a pensarem exclusivamente na sua rentabilização, quero dizer exploração face às solicitações (lazer, formação e apenas treino de competição). Nunca…, por um modelo que servisse satisfatoriamente a formação e a componente de competição.
Ora, a outra realidade, local – o histórico da nossa natação que, a todos nos devia orgulhar mas, parece para alguns senhores da política local que não (sempre a política a meter-se com o desporto…) –, quer através da Escola Municipal quer da AEJ, dos seus muitos campeões nacionais, internacionais e até olímpicos sendo a Ana Rodrigues o maior ícone do desporto desta cidade, nada mas rigorosamente nada, ter a ver com o que acontece na vizinha O. de Azeméis. Porque haveremos nós(!) ser “contemplados” com tamanho aborto de piscina? Será que já não nos chega o Parque América, a monstruosidade que nos assombra e à castigada Praça Luís Ribeiro?
A ideia projectada ao tempo por Castro Almeida de que, a requalificação da nossa piscina olímpica (exterior) sairia mais cara que construir a piscina do Souto Moura não pode enganar a todos. Constitui a mais acabada história de um desígnio de sua autoria, escolhido e assumido sem auscultar a legítima e específica comunidade desportiva local. Ainda por cima história atabalhoadamente contada, pela razão simples de que ninguém conhece estudo elaborado por especialistas.
Em todo o norte do país a partir de Coimbra, não existe verdadeiramente equipamento olímpico com a capacidade para receber prova nacional ao nível dos últimos Campeonatos de Coimbra bem como de uns Campeonatos de Portugal (verão) – OPEN. A nossa cidade verá (definitivamente com aquela encomenda de piscina) perder-se a grande oportunidade de receber eventos de tal nível (internacional, sim…) no que equivale a dizer que, também e jamais, terá durante pelo menos cinco dias consecutivos cerca de 3 000 visitantes permanentes, para conhecer e elevar a cidade ao circuito internacional da Natação. 

Comentários
Anónimo | 07-05-2017 16:10 Resposta ao "Porque não"
Eu não sou comentador senhor Moreira. Eu sou operador de máquina limador, "limadorista", de profissão somente e nada mais. O senhor é o comentador que de um modo quase profissional escreve uns artiguecos no jornal da minha terra. Muitas vezes contra a aquilo que acho que é bom senso e de modo pouco conhecedora.Decidi reclamar contra aqui dos mesmos artiguecos, pouco reflexivos e notóriamente desconhecedores de questões técnicas..

José Pacheco Ferreira
Anónimo | 05-05-2017 15:10 E porque sim?
O José Pacheco Ferreira (JPF) comenta o que os outros escrevem no jornal da sua terra. Nada mais! Diverte-se com a ignorãncia de alguns frustados "intelectuais" e o modo como aqui se verifica aquela máxima que diz que "ignorância é atrevida".
O JPF diverte-se com o facto do senhor Fernando ser atrevido e verifica que no outro jornal lhe cortaram o atrevimento .
Senhor Fernando não fale do que não sabe porque está a estragar o jornal da minha terra.
JPF.

Anónimo | 04-05-2017 16:04 E porque não?
As pessoas que lêem os comentários do Sr. Pacheco Ferreira, já viram que o homem sabe de tudo e comenta tudo! Porque não escreve o referido comentador, artigos de opinião, num dos jornais da terra, dando a cara corajosamente como o faz o Fernando Moreira? Porque a comentar apenas o que os outros escrevem, não possibilitando a leitura desses comentários a aqueles que apenas lêem o jornal no papel!
É uma pena que uma pessoa tão entendida em várias matérias sociais e políticas, da Europa onde vive e de África onde esteve, não seja devidamente aproveitado para escrever artigos que, estou certo, seriam uma mais valia para todos nós, leitores! Faça isso Sr. Pacheco Ferreira, mostre-nos como se faz e se diz, para que todos nós aprendamos consigo!
Anónimo | 04-05-2017 14:42 Olha este ...
Até parece que articulista domina o tema e tem competência técnica para se opor a um projeto que à cabeça o município receberia pelo menos 60% do seu custo e que o remanescente não chega, caso se opte por não construir, para requalificar a velha piscina.
Estas pessoas que circularam por campos politicos muito radicais, bem diferentes do atual, e que depois se abandonaram velhoe ideais para se refugiarem em "portos seguros" ficam especialistas em defender medicricidade.
Saiba que o projeto foi chumbado apesar de ter a opinião maioritária da Assembleia Municipal e esperamos que o prejuizo causado ao Municipio seja corrigido. Pelo menos no plano político no próximo mandato haverá uma maioria clara a favor do mesmo.
Senhor Fernando Moreira não fale daquilo que não sabe.

José Pacheco Ferreira

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