Pedro Santos, director de Serviço de Oncologia do CHEDV
“Hoje ser portador de uma doença oncológica não significa morte”
04-05-2017 | por António Gomes Costa
O cancro continua a ser uma doença que assusta e nem sempre existem respostas. Porquê a mim? - a pergunta é inevitável perante um diagnóstico que confirma a doença. As perguntas arrastam-se e as respostas nem sempre chegam. Os desafios, esses, são constantes e diários. O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV) foi reconhecido pelo Ministério da Saúde como centro de referência na área de Oncologia, para o tratamento do Cancro Hepatobilio/Pancreático. Dirigido desde 2016 por Pedro Santos, é neste serviço que os doentes oncológicos da região são recebidos, seguidos e tratados, e grande parte dos casos não tem referenciação direta ao IPO do Porto. Nas palavras do especialista, hoje ser portador de uma doença oncológica não significa morte.
Estatísticas

1557 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

‘O Regional’ - Como define o serviço de oncologia do Hospital S. Sebastião?
Pedro Santos - Trata-se de um serviço que tem como função principal tratar os doentes do foro oncológico da sua área de influência (St.ª M.ª Feira, S. J. Madeira, O. Azeméis, V. Cambra, Arouca, parte de Ovar e de Castelo de Paiva, e ainda doentes de outras áreas do país que assim o pretendam).

É um serviço que funciona essencialmente em regime de ambulatório…
Sim. Permite ao utente receber um tratamento especializado, sem ter que que se ausentar da sua família e de sua casa. Temos disponíveis, contudo, sete camas destinadas a tratamentos de quimioterapia em doentes mais debilitados, assim como a doentes que necessitem, nomeadamente de controlo da dor ou tratamentos dos efeitos secundários provocados pela terapêutica instituída. Além destas camas, o serviço tem disponíveis 12 cadeirões para o tratamento dos doentes.
Estes meios, gabinetes médicos, enfermagem e serviço administrativo funcionam no Piso 4 do Hospital de S. Sebastião.
Recentemente, iniciou-se uma consulta de proximidade na unidade funcional de Oliveira de Azeméis, com o intuito de facilitar acessibilidade dos doentes a esta especialidade.

O cancro continua a ser uma doença que assusta e nem sempre existem respostas. O que marca a diferença deste vosso serviço relativamente a outras unidades hospitalares?
Dada a grande predominância da patologia oncológica, não só a nível nacional como internacional, algumas unidades hospitalares, nomeadamente a CHEDV, optaram por ter um serviço de oncologia que não só trata os seus próprios doentes, melhor dizendo, os referenciados do próprio hospital, como também referenciados dos centros de saúde.

Qual a média de idades dos doentes oncológicos do CHEDV?
Cada vez mais o diagnóstico das doenças oncológicas tem sido mais precoce, pelo que a sua média, em termos de idade, tem baixado substancialmente.

O CHEDV foi reconhecido pelo Ministério da Saúde como centro de referência na área de Oncologia para o tratamento do Cancro Hepatobilio/Pancreático. Esta é uma das referências do serviço?
Sem dúvida que o reconhecimento, por parte da tutela, como centro de referência se deve ao excelente trabalho do Serviço de Cirurgia Geral do CHEDV, nomeadamente da unidade funcional hepatobilio/pancreática e, obviamente, da articulação deste com vários outros serviços da instituição, entre os quais o nosso, de Oncologia. Nestas áreas, o trabalho multidisciplinar, envolvendo áreas como a cirurgia, a radiologia, a anatomia patológica, a oncologia e algumas outras, é fundamental para a abordagem bem -sucedida destes casos. No nosso caso, da Oncologia, actualmente, o serviço conta comum corpo clínico de seis médicos, tem capacidade formativa reconhecida pelo internato médico, ordem dos médicos e colégio de especialidade, o que permite, além de credibilizar o mesmo, aumentar a parte assistencial, dinamizar a parte científica. O serviço participa em ensaios clínicos, assim como tem tido a possibilidade de publicação de artigos e presença em reuniões de índole científica. Atualmente conta com 13 internos do internato complementar de oncologia médica.

“É necessário mudar nas pessoas alguns dos seus hábitos”

Todos os doentes da região passam obrigatoriamente pelo Instituto de Oncologia do Porto?
A ideia da criação das unidades de oncologia em várias unidades hospitalares é precisamente evitar a referenciação automática para os institutos de oncologia. A capacidade técnica dos oncologistas destas unidades hospitalares é idêntica às dos institutos. Nestas unidades tratam-se 98 por cento de toda as patologias de foro oncológico, pelo que não tem sentido a referenciação direta para os institutos.

Quer com isso dizer que os doentes oncológicos de S. João da Madeira são encaminhados para o CHEDV?
Os doentes de S. João da Madeira referenciados vão para o Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira.

Do ponto de vista do diagnóstico, como evoluíram as técnicas nos últimos anos?
Atualmente, dada a predominância e o aumento substancial das doenças oncológicas, tem-se contado com meios auxiliares de diagnóstico e tratamento muito mais sofisticados, o que não só permite o diagnóstico mais precoce da doença, como o seu tratamento.

Existe uma pergunta que todos nós queremos saber. Afinal podemos, efectivamente, prevenir o cancro ou não?
Penso que é necessário mudar nas pessoas alguns dos seus hábitos, nomeadamente, alimentares, incentivar o exercício físico, combater o abuso excessivo de álcool e tabaco. Não devemos esquecer que as neoplasias malignas têm uma forte componente genética, a qual pode ser minoradas pelo que atrás foi referido.

O que diria aos familiares e amigos próximos de um doente oncológico?
Felizmente, hoje, ser portador de uma doença oncológica não significa morte. Com os grandes avanços, não só na área do diagnóstico já referido anteriormente, assim como na terapêutica com a descoberta de novas moléculas (quimioterapia alvo), há a possibilidade de tornar a doença crónica, permitindo, de alguma forma, o doente levar uma vida normal.

 

Oncologia no Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga

Consulta Externa - 2016
Primeiras consultas = 1.664
Subsequentes = 13.433
Total = 15.097

Hospital de Dia - 2016
Nº Sessões  de Tratamento  = 9.597
Nº Doentes em Tratamento = 1.290

MCDT - Meios complementares de Diagnóstico e Tratamento (oncologia+quimioterapia + ....) 2016
Total = 14.412

Consulta Externa - Jan. a Fev. 2017

Primeiras consultas = 345
Subsequentes = 2.428

Hospital de Dia - Jan. a Fev. 2017
N.º Sessões de Tratamento = 1.599
N.º Doentes em Tratamento = 1.050


 

Comentários
Anónimo | 08-05-2017 19:14 Reponham ... no Hospital de SJM
Reponham a Urgência Cirúrgica, as especialidades e valências médicas, os serviços de diagonóstico, os meios de imagiologia, e tudo o que mais roubaram ao nosso Hospital.
Não nos deixemos enganar nas falinhas mansas dos governantes (passados, presentes e futuros).

José Pacheco Ferreira

Comentar

Anónimo