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04-05-2017 | por F.S.L.
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Litania do Mal


Brotou nas raízes e nasceu nos frutos,
Bordou-se nos vestidos das noivas com lutos.
    Nas flores da alegria nas noites sem estrelas,
    No estalar do raio, no apagar-se das velas.
Casquinando graças em lágrimas vertidas,
No voo pelo espaço, cruzando-se com vidas.
    No gelo da cauda dos velozes cometas,
    Indiferente às estrelas do espaço, ascetas.
Ribomba no trovão acordando os céus
Despertando do sono qualquer tranquilo Deus.
    No desfilar das nuvens mudando-lhes a cor,
    Um modo “coquete” de impressionar o Criador.
Abre-se nos pegos e nos fundos abismais,
Exibe-se nos lodos dos lixos siderais.
    Ao Universo aberto traz-lhe melancolia,
    Na carne viva raivoso, um mal que a desfia.
No cérebro humano desfaz-lhe os neurónios,
Colocando-se por trás com todos os demónios.
    No sonho de Nabuco, a leitura de Daniel,
    Que deu a profecia dando ao mel o fel.
Levando-o ao medo da morte à mão dos seus herdeiros,
A matar antecipado os últimos e os primeiros.
    Uma solução final pensou o tal tirano,
    Que o melhor seria matar, ano após outro ano.
E antes que no-lo faça o nosso outro irmão,
Acabe-se com a Humanidade, assim dos pés para a mão.
    Cria-se o circulo infernal, o círculo eterno da chama,
    Onde o homem se sentará no trono onde
                [se auto proclama.
Sinónimo de justiça lança do alto o punhal
Sem aviso ou ameaça, apenas sinal do mal.
    O novo Deus timoneiro de destinos e caminhos,
    Ao leme da nau maldita com a sua quilha de espinhos.
Acordei do pesadelo:
Em troca de tanta bulha meu silêncio eu daria,
E nessa bulha adormecendo, dava por finda a agonia.

 

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