Patente no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory
Arte Bruta até Outubro na Oliva
04-05-2017 | por António Gomes Costa
Estará patente até Outubro, no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, uma nova exposição de Arte Bruta, com obras de autores sem educação formal, que conceberam projectos de arquitectura e engenharia.
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Trata-se da única colecção de arte bruta da Península Ibérica e uma das mais relevantes a nível internacional. São mais de mil peças que o português António Saint Silvestre e o zimbabwiano Richard Treger foram coleccionando ao longo dos últimos 30 anos e que, desde o último sábado, dia 29, estão em exposição no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory.
Sob o título “As Leis do Número de Ouro”, se expõem as obras de arte bruta, ou melhor, criações de artistas que se consideram livres de influências, de preocupações comerciais e de notoriedade individual, sendo que alguns deles acabam mesmo excluídos da sociedade.
A colecção é composta por núcleos de arte bruta, artes marginais e arte contemporânea e ainda núcleos de vocação etnográfica, como a colecção de crucifixos contemporâneos e de Arte Vudu do Haiti.
António Saint Silvestre já fez saber que nesta nova exposição revelam-se «castelos, palácios e cabanas saem da mente fértil dos inocentes; planos, máquinas, engenhos dão voltas incessantes accionadas pelo espírito criativo de seres vivendo à margem do mundo».
O coleccionador deixa também alguns exemplos destes “arquitetos” visionários que criaram as obras que vão estar expostas do Núcleo de Arte da Oliva: “Na Alemanha, Karl Hans Janke (1909-1988), internado num hospital psiquiátrico, desenhou quatro mil planos técnicos e até sistemas de geolocalização idênticos ao atual GPS. Ou Martin Erhard, um mineiro que desenhou plantas para casas subterrâneas e móveis, e ainda o sérvio Tanasic (1967), um arquiteto que enlouqueceu e pregava os seus desenhos nas árvores de jardins públicos».
Para a curadora desta exposição, Antonia Gaeta, italiana que há 14 anos vive em Portugal, na exposição, o «visionário é uma idealização; o impraticável uma utópica perfeição, uma imagem mental dissociada da natureza física do mundo real, a ocasião de reconstrução do mundo como cada artista pensa que deveria ser ou, em todo o caso, um convite a descobrir e construir uma narrativa própria». Assegura também: «cada obra apresentada é, ao mesmo tempo, síntese de construção formal e intelectual, expressão de relações entre as formas, equilíbrio entre as cores, aprimoramento e perfeição», refere numa carta a que tivemos acesso.
No primeiro andar do Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory existe ainda uma outra exposição da mesma colecção de Arte Bruta - «Uma História de Mitologias Individuais», que pode ser vista, representada nas últimas três fotografias desta galeria.

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