Augusto Pinho Santos, presidente da Junta de Milheirós de Poiares
“O Nosso Povo sabe o que quer, sabe esperar”
20-04-2017 | por António Gomes Costa
Augusto Pinho Santos é um homem confiante e não desiste com facilidade quanto à luta pela integração de Milheirós de Poiares em S. João da Madeira. O Presidente da Junta faz o ponto da situação dias depois dos partidos com assento na Assembleia de República terem analisado, em plenário, as duas petições a favor e contra a desanexação desta freguesia e mostra-se satisfeito, uma vez que “só se falou da nossa”, o que considera positivo. O autarca garante que Milheirós de Poiares tem sido um exemplo de vontade férrea de um Povo lutador, comenta a polémica ao redor do assunto que envolve o município feirense e afirma que, quem não é desta freguesia, não pode compreender todo este processo e vontade, que já vem “do berço, esta alma Sanjoanense”.
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‘O Regional’ - Os partidos com assento na Assembleia de República, depois do plenário do dia 7 de Abril, decidiram não avançar com qualquer iniciativa legislativa com vista à desanexação da freguesia de Milheirós de Poiares da Feira e integração em S. João da Madeira. Como encarou tudo isto?
Augusto Santos – Prefiro a palavra Integração no município de S. João da Madeira, do que desanexação de...! Após o chumbo da nossa pretensão na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, após o referendo, o que para nós tem uma leitura de como funciona a democracia para quem se afirma democrata, a falta de respeito pela vontade expressa pelo voto popular, que até aconteceu em dois momentos, para além do referendo de 16 de Setembro de 2012, o ato eleitoral autárquico, que se seguiu em 2013, onde a integração se colocava e que obteve a segunda melhor votação em todo o concelho. Sempre afirmamos que a sequência natural, por força da Lei, seria na Casa da Democracia. Como encarei esta situação, como encararam os Milheiroenses que o pretendem e representados no Movimento pelo Sim à Integração? A nossa luta por esta causa vem de longe e nós somos resilientes o suficiente para saber esperar pelo melhor momento. Milheirós de Poiares tem sido um exemplo de vontade férrea de um povo lutador e que sabe o que é melhor para o seu destino colectivo.

De que forma acompanhou a intervenção de cada um dos deputados na Assembleia da República?
De forma muito atenta, em direto, através da ARTV.

Mas ficou desiludido com aquilo que ouviu?
Já estou tão habituado que nada me desilude, pelo menos quando é expectável, mas, sim, da parte do PEV, o deputado José Luís Ferreira, desiludiu-me, esperava mais, muito mais e melhor de um representante de Os Verdes.

São duas petições que vão em sentidos opostos. Há quem considere que não é a altura ideal para discutir o assunto, uma vez que se aproximam as eleições autárquicas. Entende que o caso Milheirós é um assunto político?
Duas petições com o mesmo objecto, mas de sentido oposto, como diz, mas se bem reparou só se falou da nossa e aí vejo algo positivo. Os momentos são sempre ideais desde que não ponham em risco interesses instalados. A nossa transferência não põe nada em risco, mas há momentos e nós vamos respeitar esses momentos de forma serena. Somos um Povo de Fé e Ela move montanhas. Já passamos por algumas portas bem mais estreitas e paulatinamente fomos passando; como disse, somos um Povo resiliente. Deveria ser apenas um assunto administrativo, mas claramente com contornos políticos bem visíveis.

Ficou surpreendido com a reacção do município feirense quando criou a petição pelo não à desanexação?
A partir do momento que disseram não na Assembleia Municipal e nem queriam discutir «um não assunto», como diziam, surpreende-me a agressividade a forma e os meios utilizados, numa reacção que tornou o «não assunto» no principal Assunto a nível concelho, a Câmara reuniu, em Milheirós de Poiares, vereadores, um deputado e funcionários, bateram porta a porta assustando os Milheiroenses com mentiras inacreditáveis. Milheirós de Poiares integrar-se em S. João da Madeira era o fim da «picada», para não dizer do mundo, aconteceria o apocalipse e as contradições eram tantas que passámos de lixeira dos Sanjoanenses a jardins floridos também dos Sanjoanenses, perdíamos as escolas e até o posto médico, os custos da transferência iriam ser de tal monta que durante décadas não haveria investimento em Milheirós de Poiares. Inacreditável, como se mente e assim se falta ao respeito ao que a democracia tem de mais sagrado - representação popular, cumprir a vontade do Povo expresso nas urnas e, por mais voltas que dêem, votaram 54 por cento, a maior expressão a nível nacional, e 81por cento disseram SIM, isso não o podem esconder, por mais que o queiram.

Falou em agressividade. Como assim?
Serviram-se de todos os meios, em horário de serviço e fora dele, no final das missas em quase todo o concelho, só faltou o toque de sino a rebate, até o uso de expressões bélicas, como no dia da apresentação da Contra Petição, o presidente da Câmara da Feira, Emídio Sousa, ao Porto Canal, ao dizer que «vêm por aí acima os sarracenos, ou por aí abaixo os bárbaros à conquista do nosso território», numa linguagem perfeitamente medieval, dos senhores das terras. Se isto não é agressividade…

Os milheiroenses, que no referendo de 16 de Setembro de 2012 votaram no sim, ainda acreditam neste sonho?
Como disse, o Nosso Povo sabe o que quer, sabe esperar, é resiliente. Não se esqueçam, e há quem o queira fazer esquecer, que a Assembleia de Freguesia de Milheirós de Poiares, em vários momentos, votou sempre por unanimidade dos seus membros (PS e PSD) a integração de Milheirós de Poiares no Concelho de S. João da Madeira, em respeito pela vontade do Povo que os elegeu. Mais, querem, queriam passar a mensagem de que o referendo foi feito numa circunstância temporal de medo de sermos anexados a outra freguesia (Lei Relvas). Completamente falso, tudo foi bem claro.

Mas depois deste debate onde nada foi decidido receia que o assunto esmoreça?
Tem razão. Decidido não foi, mas os deputados deixaram mensagens de esperança. Os Milheiroenses que estiveram na Assembleia da República, uma pequena representação do Movimento pelo SIM à Integração, não vinham resignados ao fatalismo, mas, sim, resistentes, para nova provação e mostrar o seu querer. Quem não é de Milheirós de Poiares não pode compreender este nosso querer, esta nossa vontade que já vem do berço, esta alma Sanjoanense.

Faz sentido depois de tudo isto um novo referendo?
Sentido como? Vamos brincar aos referendos, coisa séria e depois não os respeitamos? Não o respeitam. Fosse na Suíça, terra dos referendos, e já estaríamos em S. João da Madeira; assim como os ingleses vão sair da União, mas cá, «o povo é quem mais ordena», quando lhes dá interesse, ganho o voto, fazem tudo ao contrário, ou estou a falar mentira?

Jorge Cortez, deputado da CDU na Assembleia Municipal de S. João da Madeira, referiu recentemente quanto ao assunto não vislumbrar “benefícios para S. João da Madeira”, uma vez que o “novo município duplicaria a área, mas teria um aumento de receita residual”. Defendeu também que a alteração só se deverá concretizar caso “os órgãos autárquicos dos três envolvidos decidam favoravelmente. De que forma interpretou esta posição assumida pelo líder da CDU de S. João da Madeira?
É a sua posição, que não concordo, mas respeito. Mas sempre questiono. Para que servem as maiorias em democracia? Quanto ao não vislumbrar benefícios com o alargamento, lembro que os Milheiroenses estão a querer corrigir o erro estratégico de há 90 anos. Para quem quiser meditar sobre este ponto, acho que será interessante.


O deputado da Assembleia da República José Luís Ferreira, do Partido dos Verdes, anunciou que o caso de Milheirós de Poiares “só poderá ser ponderado se, e quando, as populações envolvidas e os respectivos órgãos autárquicos estiverem de acordo com a desanexação de uma freguesia para a sua integração num noutro concelho”. Se de um lado temos a aprovação do Município de S. João da Madeira, do outro temos o “não” da Câmara da Feira. Se existia alguma esperança, parece que a mesma começa a perder força, não lhe parece?
Em democracia todos os votos contam e nós lutamos muito, insistimos muito, dialogamos para merecer os dois votos do PEV. Já me referi a este assunto e mais não digo. Continuamos a manter fé na Casa da Democracia.

“Que se cumpra a democracia”

Esta é uma causa com muitos anos. Já muito se falou e escreveu sobre o assunto. O que acha que ainda não se disse?
Que se cumpra a democracia. Que se olhe à nossa volta neste mundo globalizado e se vejam os exemplos, das «trampadas» das «brexadas» das «lepenadas» e abram os olhos, cumpram com os deveres democráticos, não olhem só para seus umbigos, pois o «Povão» está a ficar de «saco cheio» e com fome na barriga e quando se tem fome, adeus democracia. Lamento mesmo que o sistema menos mau para se viver se esteja a auto-destruir.

No fundo, quais são os vossos argumentos que justificam e reforçam o interesse da população nesta mudança de concelho?
Provavelmente… só quem vive em Milheirós de Poiares o entenderá. Nunca esteve na nossa mente o interesse económico, a parte material, por isso me ouviram dizer muitos vezes que era uma luta do coração, mais do que política, sendo que, qualquer atitude é um ato político, mas como dizia, quando se falava da integração em S. João da Madeira, falávamos disso com a maior das naturalidades.

Como assim?
Os nossos territórios, se virem ou imaginarem uma vista aérea, somos gémeos com o rio Ul a atravessar-nos, numa ligação que, mesmo que alguns se tenham rido, dizia uma ligação umbilical. Agora, como querem que nós materializemos o assunto das vantagens, digo e repito que elas são mútuas e mais para esta região, que toda ela beneficiaria, como todas as freguesias beneficiaram com o desenvolvimento, que foi, é e será sempre uma realidade nas gentes de S. João da Madeira, e nós queremos participar e colaborar num desenvolvimento sustentado, não só para Sanjoanenses e Milheiroenses, mas para toda esta região. É uma questão de saber ler e olhar para o futuro. Nem vou entrar em comparações mesquinhas de teremos isto e aquilo melhor e mais barato, o que não deixa de ser verdade. Quando nos perguntam maldosamente, quais os benefícios, benfeitorias e/ou promessas que S. João da Madeira e os seus autarcas nos prometeram, a nossa resposta é, naturalmente, nada, mas também não precisam de nos prometer algo, pois estamos todos de boa fé e crentes nos benefícios mútuos.

E S. João da Madeira, o que poderá ganhar com o alargamento de território?
Quase lhe deixei a resposta na questão anterior, mas quem gostar das suas terras, como eu sei que os Sanjoanenses e os Milheiroenses gostam, juntos seremos mais fortes, cumprindo um desígnio histórico que, sem dúvida, está reservado a estes dois territórios, não tenham dúvidas, e o futuro, que tem sempre uma margem de risco, mas também uma margem enorme de progressão. O que aconteceu a S. João da Madeira há 90 anos é histórico e sustenta esta minha, nossa tese.

Diz que quer ganhar as eleições. Isso significa que será candidato para aquele que será o seu último mandato. Um dos motivos é para continuar a lutar pela integração da freguesia em S. João da Madeira?
Não disse concretamente que quero ganhar eleições, mas sim num plural colectivo, queremos continuar a ganhar eleições com um sentido progressista de fazer esta, que será uma revolução igual há de 90 anos, será sempre para mim mais uma das Causas em que ao longo da minha vida me entreguei à comunidade e ao serviço dos outros e do qual não me arrependo. Temos algo a buscar e procurar realizar, na passagem por este mundo, Causas nobres, procurando realizar o desígnio de ser e ajudar os outros a serem felizes, minorar sofrimento e olhar para as pessoas, reconhecendo que elas são a essência da minha, da nossa vida política e até particular. Nunca, mas nunca procurei satisfação pessoal e isso os Milheiroenses, e não só, o reconhecerão sem dificuldade, se mais não damos de nós é porque somos limitados, mas quem dá o que tem de alma e coração a mais não será obrigado, cada um deverá pôr os seus talentos ao serviço dos outros, das pessoas. Ajudarei como sempre a que se possa construir um projecto agregador e vencedor, para mais esta Causa que é Milheirós de Poiares e, consequentemente, cumprir a vontade heróica deste Povo, de que me orgulho de ser filho. Esta é a minha disposição, servir, servir, servir, se assim for preciso e o entenderem útil e necessário.

Que outros projectos tem para a freguesia?
Parte acho que respondi na questão que me colocou anterior. Penso que dizer que melhores condições para a minha freguesia será um chavão, mas nesta fase precisamos sobretudo de melhores condições viárias e dotar a freguesia de espaços pedonais adequados, manter e/ou melhorar os nossos equipamentos, um dos quais a nossa Unidade de Saúde Familiar, para substituir o nosso velhinho Posto Médico, construído com muito esforço no meu primeiro mandato como presidente de Junta, inaugurado em 1985; a recuperação da sede da Junta de Freguesia e dotá-la de melhores condições de habitabilidade e funcionalidade para quem lá trabalha, lembro que também foi construída em 1985. O nosso Centro Comercial também está quase com 30 anos e precisa de reformas, que complementam o nosso já recuperado e reformulado CCMP Centro Cultural de Milheirós de Poiares, obra que enche de orgulho e a toda a equipa que comigo trabalhou e trabalha e julgo poder dizer que é a menina dos olhos meus e dos Milheiroenses. Muito há sempre para fazer, a ligação do nosso parque de lazer do Outeiro ao parque de lazer de S. João da Madeira. Tantas e tantas potencialidades com esta União de Milheirós de Poiares com S. João da Madeira e não quero nem devo esquecer os postos de trabalho que se criarão, sem dúvida, com esta União. Assim o creio, assim o afirmo convictamente, como quem acredita naquilo porque luta e lhe dá razão de ser e de lutar. Milheirós de Poiares sempre em primeiro, sempre à frente. Numa altura em que tanto se fala de construir muros, nós queremos construir pontes de União, para um futuro melhor.

Comentários
Anónimo | 22-04-2017 00:20 Viva o MES
E viva, e viva o Movimento da Esquerda Socialista
Anónimo | 21-04-2017 00:39 Vamos fazer uma petição?
Temos que avançar para uma petição.

EXIJAMOS DEMOCRACIA.
Anónimo | 20-04-2017 22:33 Cara sem vergonha
Quando se é hipocrita, falso como judas e não se tem vergonha na cara, permite-se dizer as maiores barbaridades!

Tenha vergonha na cara e assuma aquilo que pretende.

Ja toda a gente viu que procura tacho, mas o Povo de Milheirós de Poiares não é dorme.

Seja serio, assuma o que pretende...

O MES (Movimento de Esquerda Socialista) está bem vivo em Milheirós de Poiares

Anónimo | 20-04-2017 22:22 Em devido tempo...
Este senhor, hipocrita, em devido tempo terá a resposta a este conjunto de mentiras, barbaridades que provam a sua total falta de vergonha na cara. Falso, pesssoa, sem caracter, sem personalidade...

Diga aos Milheiroenses e aos Sanioanenses que interesses os move a si e aos seus correligionários!!!!??

O MES (Movimento de Esquerda Socialista) está bem vivo, infelizmente, em Milheirós de Poiares

Anónimo | 20-04-2017 12:03 Que se cumpra a democracia!
Sim que se cumpra a democracia. A democracia está por cumprir.

Um casamento faz-se a dois. Perguntou-se ao pretendente se ele quer e ele, em referendo, disse sim, um sim babado, um sim de apaixonado, um sim de interessado? O referendo de Milheirós foi claro povo de lá disse sim. Por aqui assunto arrumado.

Mas a noiva não se pronunciou. Parece-me que olha para o pretendente de modo um pouco desconfiada. Ele é mal atanado, mal cheiroso e antipático e ainda por cima não lhe dá nada. Está duvidosa. Para que se há-de juntar com tal marmanjo? Que tem ela a ganhar? Nada!

Evidentemente que falta fazer um referendo em S. João da Madeira. Sem um referendo em S. João da Madeira o processo não será democrático. Nós, os de cá, temos razões para pensar que seremos prejudicados. Nós os de cá, somos muito mais e temos direito a um referendo.

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