É mesmo uma pena!...
13-04-2017 | por Maria de Lourdes
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A comunicação social relatou atitudes lamentáveis de finalistas do secundário, em viagem de fim de curso a Espanha, que me deixaram muito triste. É que sou professora e sempre incuti nos meus alunos que o seu comportamento seria um verdadeiro certificado de garantia. Dizia-lhes muitas vezes, o quanto era importante o respeito pelo outro, a aceitação com humildade de uma chamada de atenção, quando, por fragilidade, cometiam alguns erros, que quem pensasse diferente deveria ser escutado, pois a liberdade do outro assim o exigia, mas sem deixar de referir a própria opinião e os motivos por que se discordava.
Uma viagem de curso, em grupo, que poderia ser um momento lindo, um prémio para um ano de trabalho, uma vivência inesquecível, ficou em cacos que alguém terá de apanhar.
E porquê? O hotel onde se instalaram foi vandalizado, os espaços destruídos, os colchões atirados pela janela fora e um rasto de destruição foi deixado nesse espaço.
Às vezes os jovens querem curtir, querem adrenalina e então bebem um pouco mais, tornando assim o seu comportamento irresponsável. Que pena terem sido forçados a regressar a casa, já que foram expulsos do hotel, com tristeza no rosto, talvez arrependidos. Deus queira que isto sirva de lição para outros estudantes...
E de quem é a culpa de tudo isto? A escola que deveria ser também um lugar de formação muitas vezes não o é. A política do Ministério da Educação aposta pouco nesta área e o pobre do professor também pouco pode fazer. O seu papel limita-se a debitar conhecimentos, porque a matéria que tem de ensinar é muito vasta. Como pode o professor educar se tem tantos afazeres? Exemplos desses afazeres são os seguintes:
-Elaborar relatórios escritos sobre a aprendizagem
-Apresentar projectos e dar conhecimento deles aos superiores
-Enfrentar reclamações
- Ultrapassar a falta de apoio dos encarregados de educação
-Percorrer longas distâncias até à escola, para exercer a profissão de ensinar
- Mudar muito frequentemente de escola, o que o impede de criar afectos com os alunos
Os professores estão cansados e, sobretudo, a depressão mina-lhes a saúde.
É sabido que a família também sofre muito com os desmandos dos filhos e, por isso, vou deixar alguns aspectos que podem ajudar um pouco a educá-los:
- Leitura de livros sobre educação dos mesmos filhos
- Ser a família um espelho onde, com os seus bons exemplos, eles se possam mirar
- Ter valores morais, e que os filhos vejam vividos esses valores
- Envolver os filhos em actividades sociais, a bem dos mais desfavorecidos
- Não lhes tirar todas as dificuldades
E, quanto aos professores, também deixo alguns conselhos:
- Serem bons exemplos
- Escutar os alunos e ver por que razão, ou razões, reagem mal
- Cativar os alunos e serem alegres
- Bater palmas, quando o aluno faz alguma coisa bem-feita
- Ajudar alunos carenciados
- Incentivar os que não aprendem tão bem
- Nunca criticar um aluno em frente dos outros, pois isto é humilhante. Fazê-lo a sós
- Frequentar cursos sobre a psicologia do adolescente
Por fim, deixo um apelo às escolas, para que incentivem os alunos a visitarem, por exemplo, Cabo Verde. Ali eles poderão chegar à conclusão de que, afinal, são privilegiados e felizes em poderem viajar, quando os seus colegas deste país têm dificuldades de toda a ordem...
A escola também deve acompanhar os alunos nestas viagens e munir-se de meios de segurança, porque eles vão em massa e, nestas circunstâncias, quando se descontrolam, tornam-se irreflectidos e nem sempre se portam bem, como, aliás, agora aconteceu em Espanha.

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