No Núcleo de Arte da Oliva
Inauguradas duas novas exposições da Colecção Treger/Saint Silvestre
23-06-2016 | por Joana Gomes Costa
Foram inauguradas no Núcleo de Arte da Oliva duas novas exposições, centradas na Arte Bruta e Arte Singular, com base na Colecção Treger/Saint Silvestre. São, nas palavras do presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, “duas exposições diferentes”, porque esta “é uma colecção diferente”, que encontrou na Oliva Creative Factory um espaço “que se afirma pela diferença e pela originalidade”.
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“Há dois anos chegámos cá a gatinhar, agora estamos a correr”. Foi assim que António Saint Silvestre arrancou a sua intervenção na inauguração das duas novas exposições baseadas na Colecção que, juntamente com Richard Treger, criou ao longo de quatro décadas.
E referindo-se ao Núcleo de Arte da Oliva, o coleccionador mencionou a “sorte” por encontrar “este sítio fabuloso” para albergar o acervo que se constitui como uma colecção invulgar que reúne pinturas, desenhos e esculturas de autores sem qualquer ligação ao meio artístico, muitos deles internados em hospitais psiquiátricos.
Um destaque ao local que escolheram para albergar a sua exposição partilhada também por Richard Treger que apontou o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Ricardo Figueiredo, como um “bom amigo”.
O autarca retribuiu as palavras, agradecendo, uma vez mais, aos coleccionadores por terem escolhido “este cantinho do mundo”, a partir de onde a “colecção tem visibilidade para todo o mundo”, ao mesmo tempo que “projecta S. João da Madeira no mundo”.
E sobre as novas exposições inauguradas no passado sábado, Ricardo Figueiredo sublinhou serem “diferentes, porque esta é uma Colecção diferente”, sedeada num espaço que “se afirma pela diferença e originalidade”. Uma característica que considera ser muito portuguesa. “Os portugueses sempre se afirmaram por serem diferentes, originais e inovadores”, disse.
Ricardo Figueiredo considera que “é do pensamento desviante que se produz inovação, como a que queremos criar na Oliva Creative Factory”, avançando que a incubadora deste espaço que pretende transformar a arte e criatividade em negócio, já alberga 35 empresas que “geram valor” e representam 70 postos de trabalho. O autarca destacou também o facto do sector industrial de S. João da Madeira saber tirar partido e usar o “design como factor de inovação”.
 
Duas exposições, grandes tesouros
 
São duas as novas exposições que se traduzem em novos olhares para (re)descobrir a Colecção Tregre/Saint Silvestre: «Arte Bruta: Uma História de Mitologias Individuais», comissariada pelo curador francês Christian Berst; e «Acordar, sair, caminhar, desacelerar… olhar, parar. Olhar de novo», centrada na Arte Singular e tendo a italiana Antonia Gaeta como comissária. Durante a inauguração das duas exposições, o público teve a oportunidade de apreciar o espaço e as obras na companhia tanto dos curadores, como dos coleccionadores.
Christian Berst explica que a exposição que comissaria tem a “função principal de mostrar como as obras de Arte Bruta apresentam sobretudo uma tentativa de esclarecimento do mistério da vida”. 
Por seu lado, Antonia Gaeta revela que as obras da exposição de que é curadora “representam um conjunto complexo submetido a uma certa ideia de organização, regras, proibições, deveres e responsabilidades, mas também possibilitam o seu contrário mostrando alguma displicência e hilaridade das dinâmicas do urbano, o fantasioso, o grotesco, o labor e o emprego disfuncional do tempo”.

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