Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory
“Coleção Treger/Saint Silvestre” já está em S. João da Madeira
20-02-2014
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O Núcleo de Arte da Oliva já acolhe as mais de 600 obras da “Coleção Treger/Saint Silvestre”, um acervo único na Península Ibérica, no qual se destaca a chamada Arte Bruta, nascida do génio atormentado de criadores marginais de todo o mundo, sem qualquer ligação ao meio artístico, muitos deles internados em hospitais psiquiátricos. A exposição inaugural abre no final de maio deste ano.
As mais de 600 obras da “Coleção Treger/Saint Silvestre” já chegaram a S. João da Madeira neste início de 2014 e estão agora a ser preparadas e selecionadas, no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, para começarem a ser mostradas ao público a partir do final de maio. Essa será a próxima grande exposição a abrir ao público nessa antiga fábrica metalúrgica desativada, que a autarquia sanjoanense resgatou e recuperou.
Constituída por Arte Bruta, Arte Singular, Arte Vudu e Arte Contemporânea, trata-se de um acervo de nível internacional, sem paralelo na Península Ibérica, que agora fica alojado no Núcleo de Arte da Oliva, na sequência do protocolo de cedência assinado em 2013 entre a Câmara Municipal de S. João da Madeira e os colecionadores Richard Treger e António Saint Silvestre.

Artes marginais

Durante cerca de 20 anos, apresentaram na sua galeria em Saint-Germain-des-Prés, em Paris, artistas das chamadas “artes marginais”, constituindo uma importante coleção que querem tornar acessível ao público em geral. “Não quereríamos guardar estas obras como investimento ou para uso exclusivo de um público reduzido”, explica Richard Treger.
Ao longo de décadas, este músico, nascido no Zimbabué e que tem nacionalidade irlandesa, reuniu, juntamente com o artista luso-francês, António Saint-Silvestre, escultor do movimento “Arte Singular”, a coleção que agora passa também a fazer parte do espólio do Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, em S. João da Madeira.
A Arte Singular e a Arte Bruta são “movimentos artísticos que, neste momento, inflamam o mundo da arte, na Europa e nos Estados Unidos”, sublinha Richard Treger, adiantando que a coleção integra também “artistas contemporâneos de relevo internacional, ausentes nas coleções em Portugal”, assim como artistas do Haiti, “inspirados na religião vudu”.
“A Arte Bruta é feita por pessoas que vivem num mundo paralelo, que têm problemas psiquiátricos e que não se consideram a si mesmos artistas”, descreve, por seu lado, António Saint Silvestre, reforçando que esta arte marginal, que foge às grandes correntes, vem sendo cada vez mais valorizada internacionalmente.

S. João da Madeira no roteiro internacional da arte bruta

Os colecionadores revelam que “em Veneza, Berlim, Londres, Paris e Nova Iorque, as exposições de ‘Arte Bruta’ e ‘Singular’ sucedem-se sem interrupção, e os mais conceituados museus integram-nas finalmente nas suas coleções permanentes”. Nesse roteiro internacional, “S. João da Madeira será o único testemunho deste apaixonante movimento artístico na Península Ibérica, e até a Sul do Rio Loire”, realça Saint Silvestre.
“A nossa cidade tem que se afirmar pela diferença e esta é certamente uma das formas de nos podermos projetar internacionalmente”, diz o Presidente da Câmara, Ricardo Oliveira Figueiredo, destacando que “a Arte Bruta no mundo vai passar por exposições de referência em Lausanne (Suíça), Lille (França) ou S. João da Madeira”.

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