19-07-2012 | por Magalhães dos Santos
Simpática Amiga minha, filha de casal também simpático e também Amigo – deve ser genética a simpatia naquela família… - está nos Estados Unidos a trabalhar como investigadora num laboratório.
Vou aproveitar as diversas circunstâncias – a senhora ser simpática, (uma doçurinha!), ser minha Amiga, trabalhar num laboratório de ciências médicas – e sugerir-lhe-pedir-lhe que se consagre a descobrir remédio ou, melhor ainda, uma vacina. Trata-se de debelar – se não erradicar - doenças terríveis que há milénios afligem a Humanidade com caráter de pandemia, embora Portugal seja particularmente atreito ao seu aparecimento. É que, em dez milhões e meio de seres humanos que aqui habitamos, mais de onze milhões padecem dessas desgraçadas maleitas.
Trata-se – para quem ainda não tenha descoberto sobre o que incide a minha preocupada atenção – de doenças maléficas como o tranglomanglo, também conhecido por tangomango, tanglomango, tangromango, tangromangro.
Papiros milenares referem já que essa doença afetou, diminuiu e acabou por matar faraós do Egito, mandarins da China, caciques do Amazonas, sitiantes e sitiados da Guerra de Tróia. Consta mesmo, em bastidores, que as hordas de Tringlipin, famoso chefe militar da tribo dos Nómadas, também foram dizimadas.
O tranglomanglo é lixado para dar cabo da qualidade de vida das pessoas. Na Idade Media foi responsável pelo desaparecimento de dezenas de localidades, onde não escapou ninguém, o que se chama ou não se chama ninguém. Em famílias de cinco pessoas chegaram a morrer doze. Foi preciso um grande esforço demográfico para repovoar esses aldeamentos. Aqui em Portugal não foi difícil encontrar voluntários para essa hercúlea tarefa d reconstituição. Mas países houve, menos vocacionados para essa benemérita missão, que ficaram para sempre desfalcados em termos populacionais e ainda hoje recorrem aos préstimos do varão português, que sacrificadamente para lá emigra para desempenhar tão esgotante mas humanitária função.
Mas se fosse só o tranglomanglo a afligir e a devastar a pobre Humanidade! Não! Outras maleitas há para que ainda não há remédio e perante as quais a Medicina queda impotente, deixando que anualmente milhares, milhões de seres humanos e outros nem tanto encontrem a Morte, a senhora do sorriso branco e dos olhos cavos.
Lembro-lhes o temível badagaio! Recordem, Leitoras compassivas e Leitores empedernidos, que, quando ouvirem dizer de alguém “que lhe deu o badagaio”, poderá não ser motivo para lhe rezarem pela alma (nem toda a gente, nos dias de hoje, vem apetrechada com esse apêndice), mas é pelo menos piedosa razão para erguerem fervorosas preces para que o Amigo ou a Amiga recupere de tal acidente. É que, quando o badagaio dá em alguém, a recuperação dificilmente é completa.
Danado, o badagaio!
E que lhes dizer do zepequim, que, na boca do meu Amigo Sr. Cavarette, já ouvi designado zipiqui? Zepequim já está literariamente abonado, em premiado livro do Dr. Manuel Pereira da Costa (“Campo de feno com papoilas”).
Não ficam por aqui – ai de nós! – as avassaladoras pragas com que os tristes herdeiros de Adão têm de se haver!
Ainda há o treco, o deprimente treco, a que dificilmente se resiste e de efeitos catastróficos em quem tem a lamentável “sorte” de por ele ser vitimado.
E, como se não bastassem aos desgraçados filhos de Eva o incapacitante badagaio, o depressivo tranglomanglo, o horroroso treco, há ainda o mais recente mas não menos pernicioso patatuz… Autêntico cataclismo, o patatuz!
São os piores!
Mesmo assim, se desconfiarem de que alguém está com o tau… fujam a sete pés! Que uma pessoa com o tau é… um perigo, uma ameaça, um desastre de que a Sociedade dificilmente se livra!
Mais vale tautau no tutu do que só o tau!
Por isso é que instantemente peço à minha amiga Tanica que aplique os seus talentos e sapiência na descoberta de remédio…Melhor ainda: de vacina contra o patatuz, o badagaio, o tranglomanglo, o assustador treco, o limitativo tau.
Mas se encontrar maneira de nos livrarmos do Zé Socas, desse vírus destruidor de todo um povo, de toda uma raça, esse genocida… então, querida Tanica, garanto-lhe o Prémio Nobel da Medicina e, mais apetecível ainda, o da Paz.
Vamos, Tanica! O microscópio e a Glória esperam-na!
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX do seu Amigo


