- A Santa Cruz
12-07-2012 | por Carlos Alberto Pereira Dias
Inspirando-nos no que nos narra o “Breviário Romano”, vamos, embora sinteticamente, e baseados na tradição, apresentar a história da Santa Cruz, após algumas centenas de anos depois da morte de Jesus Cristo, no Calvário.
“Logo a seguir à victória obtida por Constantino, graças à Cruz que lhe apareceu nos ares e cujo sinal reproduziu no Labaro, Santa Helena, sua mãe, foi a Jerusalem em procura da verdadeira Cruz. No início do século II, Adriano descobrira o Calvário e o Santo Sepulcro sob um terraço de 100 metros de comprimento, onde se havia levantado uma estátua a Júpiter e um templo a Vénus. A imperatriz mandou arrazar esses monumentos, encontrando-se, nas escavações do solo, os cravos e o glorioso troféu de onde nos vem “a vida , a salvação e a ressurreição”. A cura de uma mulher fez reconhecer a árvore sagrada.
Santa Helena dividiu em três partes o precioso madeiro “digno de sustentar o Rei do Céu” e de que a cruz, sobre a qual havia sido levantada por Moisés a serpente de bronze, era apenas uma imagem. Uma das partes foi colocada em Roma, na Igreja por este motivo chamada Santa Cruz de Jerusalém, a outra em Constantinopla e a terceira em Jerusalém. Esta última relíquia, tendo sido arrebatada pelos Persas, foi retomada por Heraclio que a reconduziu solenemente a Jerusalém a 3 de Maio de 628. Coberto de ouro e pedras preciosas o imperador sentiu, de repente, uma força invisível a impedir-lhe os passos. Zacarias, bispo de Jerusalém, ante este facto, disse-lhe que imitasse a pobreza e humilde de Jesus, carregando a sua Cruz. Heraclio pôs sobre os ombros um manto vulgar e pôde assim continuar o seu trajecto”.
- Exaltação Da Santa Cruz
No seguimento do que acima foi versado, continuaremos a tratar sobre a história do sagrado lenho - estandarte da religião cristã - com novos pormenores.
“A 14 de Setembro do ano de 335 fez-se a dedicação da Basílica constantiniana que compreenderia em seu recinto o Calvário e também o Santo Sepulcro”.
- “Foi nessa data, diz Etheria, que se descobriu a Cruz, pelo que se lhe celebra o aniversário com tanta solenidade como a Páscoa e a Epifania” . Daí a origem da festa que a Igreja faz a 14 de Setembro da EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ”.
“Quando eu fôr exaltado atrairei tudo a mim”, havia já dito Jesus. Porque o Salvador se humilhou, fazendo-se obediente até à morte da cruz, é que Deus o exaltou e lhe deu um nome acima de todo o nome. Devemos, pois, glorificar-nos na Cruz de Jesus, a nossa vida e salvação, que protege os seus servos contra as ciladas dos inimigos.
Pelos fins do reino de Phocas, Chosroa, rei dos Persas, diz a legenda do breviário, apoderou-se de Jerusalém, fazendo perecer muitos milhares de cristãos e levando para a Pérsia a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, colocada por Helena sobre o monte Calvário. Heraclio, sucessor de Phocas, recorreu a jejuns e múltiplas orações, implorando, com muito fervor, o socorro de Deus, E, como já acima dissemos, reuniu um exército e venceu Chosroa, exigindo, então, a restituição da Cruz do Senhor. Assim, foi recuperada a preciosa relíquia catorze anos depois de ter caído em poder dos Persas.
De volta a Jerusalém, Heraclio tomou-a sobre os ombros, levando-a com grande pompa para a montanha onde fora carregada pelo próprio Salvador. Esse acontecimento ficou assinalado por extraordinário milagre. Heraclio carregado de ouro e pedras preciosas, sentiu uma força invisível detê-lo à porta que dava acesso ao monte Calvário; quanto mais esforços fazia para caminhar, tanto mais fortemente detido parecia ficar. Estando o imperador e todas as testemunhas da cena estupefactos, Zacarias, bispo de Jerusalém, dirigindo-se ao imperador lhe disse: - “Notai, ó imperador, que com esses ornamentos de triunfo, não imitais bastante a pobreza e a humildade com que Jesus Cristo carregou a Sua Cruz“. Heraclio, despojando-se das esplêndidas vestimentas e largando o calçado, lançou aos ombros um manto vulgar e pôs-se de novo a caminho, realizando facilmente o restante do trajecto; colocou a Cruz sobre o monte Calvário, no mesmo lugar de onde os Persas a haviam tirado.
A “EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ”, celebrada anualmente nesse mesmo dia, adquiriu, então, grande importância com a lembrança de ter sido posta por Heraclio no mesmo lugar onde tinha sido levantada para o Salvador pela primeira vez”.
“Dulce lignum, dulces clavos, dúlcia fernes pondera:
Quae sola fuisti digna sustinere Regem caelorum et Dominum”.
=
“Doce madeiro, doces cravos que sustentais fardo tão suave: só tu, ó Cruz, foste digna de sustentar o Rei dos Céus, o Senhor”.
- A Cruz*
- “ IN HOC SIGNO VINCES! “ -
É um doce madeiro,
Doces são os seus cravos,
Um sinal altaneiro
Só digno d’homens bravos.
Lembra o estandarte
De uma religião,
Pois ‘stá em toda a parte
Trazendo união.
Lembra o sofrimento
D’Alguém que a carregou
Lembra o sentimento
D’Alguém que agonizou.
Alguém a transportou,
Alguém nela sofreu,
Alguém nela chorou,
Alguém nela morreu!
Cruz é glória sentida,
Nosso triunfo também;
É amor, dor, é vida
Recebidos d’Alguém.
Ela é o caminho
Da nossa salvação;
Andemos de mansinho
Cheios de devoção.
Deves também morrer
Abraçado à Cruz,
P’ra poderes saber
Quando sofreu Jesus!
Se algum dia, porém,
Não a p’deres levar,
Pede auxílio a Alguém
Que te possa ajudar.
Na Cruz crucificados,
E unidos como irmãos,
Seremos, sim, levados
P’ra pátria dos cristãos!
* - Cruz = Instrumento de suplício na Antiguidade, formado por um tronco de madeira vertical sobreposto por outro transversal. Era o mais doloroso e ignominioso entre os povos do Oriente.
Desde que JESUS CRISTO foi justiçado numa cruz, operando, deste modo, a salvação da humanidade, a cruz passou a ser símbolo da Redenção e o sinal característico do Cristianismo, remetido com insistência na Liturgia.


