De Tudo... Um Pouco - XLIII
- A Santa Cruz
12-07-2012 | por Carlos Alberto Pereira Dias
“IN HOC SIGNO VINCES!” (Com este sinal vencerás!) - palavras que, segundo a tradição, foram dirigidas por Nosso Senhor a Constantino Magno (c. 280/337), filho de Constâncio e de Santa Helena, aclamado imperador romano em 306, quando marchava contra Maxêncio, imperador romano (280/312). Este, quando se proclamou imperador romano, perseguiu os cristãos. Teve que se haver com Constantino, seu rival, e veio a morrer na Batalha da Ponte Milvius, quando tentava fugir.
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Inspirando-nos no que nos narra o “Breviário Romano”, vamos, embora sinteticamente, e baseados na tradição, apresentar a história da Santa Cruz, após algumas centenas de anos depois da morte de Jesus Cristo, no Calvário.
“Logo a seguir à victória obtida por Constantino, graças à Cruz que lhe apareceu nos ares e cujo sinal reproduziu no Labaro, Santa Helena, sua mãe, foi a Jerusalem em procura da verdadeira Cruz. No início do século II, Adriano descobrira o Calvário e o Santo Sepulcro sob um terraço de 100 metros de comprimento, onde se havia levantado uma estátua a Júpiter e um templo a Vénus. A imperatriz mandou arrazar esses monumentos, encontrando-se, nas escavações do solo, os cravos e o glorioso troféu de onde nos vem “a vida , a salvação e a ressurreição”.  A cura de uma mulher fez reconhecer a árvore sagrada.
Santa Helena dividiu em três partes o precioso madeiro “digno de sustentar o Rei do Céu” e de que a cruz, sobre a qual havia sido levantada por Moisés a serpente de bronze, era apenas uma imagem. Uma das partes foi colocada em Roma, na Igreja por este motivo chamada Santa Cruz de Jerusalém, a outra em Constantinopla e a terceira em Jerusalém. Esta última relíquia, tendo sido arrebatada pelos Persas, foi retomada por Heraclio que a reconduziu solenemente a Jerusalém a 3 de Maio de 628. Coberto de ouro e pedras preciosas o imperador sentiu, de repente, uma força invisível a impedir-lhe os passos. Zacarias, bispo de Jerusalém, ante este facto, disse-lhe que imitasse a pobreza e humilde de Jesus, carregando a sua Cruz. Heraclio pôs sobre os ombros um manto vulgar e pôde assim continuar o seu trajecto”.

- Exaltação Da Santa Cruz

No seguimento do que acima foi versado, continuaremos a  tratar sobre a história do sagrado lenho - estandarte da religião cristã - com novos pormenores.
“A 14 de Setembro do ano de 335 fez-se a dedicação da Basílica constantiniana que compreenderia em seu recinto o Calvário e também o Santo Sepulcro”.
- “Foi nessa data, diz Etheria, que se descobriu a Cruz, pelo que se lhe celebra o aniversário com tanta solenidade como a Páscoa e a  Epifania” . Daí a origem da festa que a Igreja faz a 14 de Setembro da EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ”.
“Quando eu fôr exaltado atrairei tudo a mim”, havia já dito Jesus. Porque o Salvador se humilhou, fazendo-se obediente até à morte da cruz, é que Deus o exaltou e lhe deu um nome acima de todo o nome. Devemos, pois, glorificar-nos na Cruz de Jesus, a nossa vida e salvação, que protege os seus servos contra as ciladas dos inimigos.
Pelos fins do reino de Phocas, Chosroa, rei dos Persas, diz a legenda do breviário, apoderou-se de Jerusalém, fazendo perecer muitos milhares de cristãos e levando para a Pérsia a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, colocada por Helena sobre o monte Calvário. Heraclio, sucessor de Phocas, recorreu a jejuns e múltiplas orações, implorando, com muito fervor, o socorro de Deus, E, como já acima dissemos, reuniu um exército e venceu Chosroa, exigindo, então, a restituição da Cruz do Senhor. Assim, foi recuperada a preciosa relíquia catorze anos depois de ter caído em poder dos Persas.
De volta a Jerusalém, Heraclio tomou-a sobre os ombros, levando-a com grande pompa para a montanha onde fora carregada pelo próprio Salvador. Esse acontecimento ficou assinalado por extraordinário milagre. Heraclio carregado de ouro e pedras preciosas, sentiu uma força invisível detê-lo à porta que dava acesso ao monte Calvário; quanto mais esforços fazia para caminhar, tanto mais fortemente detido parecia ficar. Estando o imperador e todas as testemunhas da cena estupefactos, Zacarias, bispo de Jerusalém, dirigindo-se ao imperador lhe disse: - “Notai, ó imperador, que com esses ornamentos de triunfo, não imitais bastante a pobreza e a humildade com que Jesus Cristo carregou a Sua Cruz“. Heraclio, despojando-se das esplêndidas vestimentas e largando o calçado, lançou aos ombros um manto vulgar e pôs-se de novo a caminho, realizando facilmente o restante do trajecto; colocou a Cruz sobre o monte Calvário, no mesmo lugar de onde os Persas a haviam tirado.
A “EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ”, celebrada anualmente nesse mesmo dia, adquiriu, então, grande importância com a lembrança de ter sido posta por Heraclio no mesmo lugar onde tinha sido levantada para o Salvador pela primeira vez”.

“Dulce lignum, dulces clavos, dúlcia fernes pondera:
Quae sola fuisti digna sustinere Regem caelorum et  Dominum”.
=
“Doce madeiro, doces cravos que sustentais fardo tão  suave: só tu, ó Cruz, foste digna de sustentar o Rei dos Céus, o Senhor”.

    


- A Cruz*

               
- “ IN HOC SIGNO VINCES! “ -

    É um doce madeiro,
    Doces são os seus cravos,
    Um sinal altaneiro
    Só digno d’homens bravos.

    Lembra o estandarte
    De uma religião,
    Pois ‘stá em toda a parte
    Trazendo união.
    Lembra o sofrimento
    D’Alguém que a carregou
    Lembra o sentimento
    D’Alguém que agonizou.
    
    Alguém a transportou,
    Alguém nela sofreu,
    Alguém nela chorou,
    Alguém nela morreu!

    Cruz é glória sentida,
    Nosso triunfo também;
    É amor, dor, é vida
    Recebidos d’Alguém.

    Ela é o caminho
    Da nossa salvação;
    Andemos de mansinho
    Cheios de devoção.

    Deves também morrer
    Abraçado à Cruz,
    P’ra poderes saber
    Quando sofreu Jesus!

    Se algum dia, porém,
    Não a p’deres levar,
    Pede auxílio a Alguém
    Que te possa ajudar.
    
    Na Cruz crucificados,
    E unidos como irmãos,
    Seremos, sim, levados
    P’ra pátria dos cristãos!

*  - Cruz = Instrumento de suplício na Antiguidade, formado por um tronco de madeira vertical sobreposto por outro transversal. Era o mais doloroso e ignominioso entre os povos do Oriente.
Desde que JESUS CRISTO foi justiçado numa cruz, operando, deste modo, a salvação da humanidade, a cruz passou a ser símbolo da Redenção e o sinal característico do Cristianismo, remetido com  insistência na Liturgia.

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