Alegado pedófilo de Benavente detido na cidade o ano passado
Vítimas começaram a ser ouvidas para inquérito em tribunal
28-06-2012 | por António Gomes Costa
As vítimas do alegado pedófilo de Benavente, que as terá aliciado para actos de nudez, entre elas uma menina de nove anos, residente no concelho, através da Internet, começaram a ser ouvidas na última semana no Tribunal de S. João da Madeira para inquérito. Os depoimentos vão continuar na próxima semana.
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O Tribunal de S. João da Madeira começou a ouvir, na última semana, as vítimas do alegado pedófilo de Benavente, que se encontra preso desde o dia 13 de Julho de 2011, depois de ter sido detido em S. João da Madeira pela PJ do Porto.
Segundo apurámos, junto de fonte próxima do processo, “o que está neste momento a decorrer no 2.º Juízo do Tribunal de S. João da Madeira é um inquérito às vítimas, onde todos os depoimentos estão a ser gravados para memória futura” para, assim, “proteger a identidade das vítimas, quando o caso for a julgamento”, pois o alegado pedófilo ainda não foi acusado pelo Ministério Público. A mesma fonte revela ainda: “os depoimentos têm decorrido todos os dias, dentro da normalidade, e vão ter continuidade nos próximos dias”.
Na sala de audiência encontram-se apenas o Juiz, o procurador, a advogada do arguido e um psicólogo, à medida que as vítimas vão depondo, umas presencialmente outras por videoconferência, já que as cerca de 77 vítimas são de todo o país, incluindo as ilhas.
Recorde-se que Miguel Jorge Fortes, na altura com de 47 anos, natural de Queluz, Sintra, e residente em Benavente, era conhecido de várias figuras públicas, pois tinha sido em tempos produtor musical e fazia ainda produção de espectáculos e assessoria de artistas, terá aliciado para actos de nudez cerca de 77 crianças, todas elas meninas, vítimas entre os nove e os 14 anos, onde se incluía uma menina residente em S. João da Madeira, através da Internet.
A investigação da Polícia Judiciária surgiu na sequência da queixa-crime, depois da mãe da menor sanjoanense a ter apresentado na esquadra da PSP.
A preocupação desta mãe com quem a nossa reportagem falou na altura dos acontecimentos era grande, pois, ao entrar no quarto da filha, encontrou-a nua da cinta para cima, frente ao computador, que estava ligado através da Internet a um chat de conversação, a exibir-se para uma webcam. Em conversa com a sua mãe, na altura, a menor contou que do lado de lá estaria um menino amigo, com a sua idade e que o tinha conhecido na Internet. Posteriormente, a menina terá confessado à mãe ter contactos telefónicos dessa mesma pessoa.

Fazia-se passar por menor

Alarmada com a situação, rapidamente, a progenitora ter-se-á apercebido que do outro lado estaria alguém que não seria propriamente criança. A mãe terá enviado uma mensagem, na altura dizendo “liga-me” e, segundo se sabe, ele ligou. A senhora, ao falar com ele, sentiu pela voz que se tratava de uma pessoa adulta.
Após a denúncia, as investigações avançaram no terreno, tendo a Polícia Judiciária do Porto se deslocado à residência do suspeito, onde verificou imagens de menores que o indivíduo supostamente guardava no seu portátil pessoal.
Além das conversas com menores, a PJ encontrou milhares de fotos de menores de todo o país, onde apresentavam os seios e órgãos genitais. Este material servia, segundo apurámos na altura, para futura intimidação, com ameaça de divulgação online, caso as vítimas não obedecessem às suas vontades para a prática de relações sexuais.
Ao que se sabe, além das vítimas que denunciaram o presumível pedófilo, também corre a investigação sobre dois casos que terão acontecido no distrito de Setúbal, já que o código usado, o mesmo “Cool”, era também o veículo de identificação do referido homem com as menores que aliciava e com quem mantinham conversa através da Internet, com os contornos já denunciados.

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