Oliva quer inspirar o talento, os negócios, as artes e a vida
31-05-2012 | por Joana Gomes Costa
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A Oliva Creative Factory pretende ser um “espaço de temperamento criativo, que renovará sectores económicos tradicionais e que terá como mote a transformação do talento e da criatividade das pessoas em inovação e competitividade empresarial”, como apontou Suzana Menezes, directora do projecto, na sessão de apresentação, que se realizou esta quarta-feira, 30 de Maio, na antiga sala dos fornos da Zona 2 do complexo industrial.
Nesta cerimónia, que reuniu os quatro autarcas das cidades que apostam nas indústrias criativas como factor de competitividade e desenvolvimento – S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Santo Tirso e Paredes – foi também apresentada a imagem e identidade da Oliva que “incorpora parte da história que herdamos e não queremos esquecer, mas espelha também uma dinâmica nova, moderna, criativa e ambiciosa”, baseando-se em dois princípios chave: a inspiração e evolução.
“O novo logo tem o desígnio de criar uma sólida ponte entre o passado e o futuro, pretendendo em simultâneo manter vivo e reforçar o sucesso que aqui existiu”, apontou Suzana Menezes.
E porque “este projecto pretende atrair e reter na cidade o talento das pessoas e de pessoas de qualquer parte do mundo”, foi concebida uma “assinatura internacional”, designada por ‘Inspiring Talent’, que “reflecte o principal lema deste projecto: inspirar e potenciar a criatividade e o talento das pessoas”.
Mas a nova imagem da Oliva tem também uma “dimensão camaleónica”, tendo a “capacidade de acompanhar a marca em toda a sua extensão, adequando-se às suas várias personas, sem que contudo se perca o sentido de unidade”. Tal é conseguido através da “utilização de padrões retro com aplicação de cores muito actuais”, que faz “a ponte entre o ontem e o amanhã”.
Suzana Menezes apresentou assim os quatro logos diferentes, que “espelham as quatro grandes dimensões deste projecto”: ‘Inspiring Talent’ (logo institucional que sumariza a missão da Oliva); ‘Inspiring Business’ (transmite a vocação empresarial do projecto), ‘Inspiring Arts’ (marca que se refere à dimensão formativa e artística do projecto) e ‘Inspiring Life’ (dimensão cultural de programação da Oliva e da existência de espaços de lazer e confronto permanente de ideias, projectos e percursos de vida).
Transformar criatividade em negócio
“Transformar a criatividade e talento das pessoas em negócios” é o principal foco da Oliva Creative Factory, pelo que o espaço está “vocacionado para a instalação de actividades de natureza económica que têm como matéria-prima a imaginação e a criatividade individual”.
Segundo Suzana Menezes, o design, o design de moda, o software e serviços de informática e o audiovisual serão os “sectores âncora”, enquanto as artes performativas, artes visuais e antiguidades e o artesanato e a joalharia são considerados “complementares”.
Neste sentido, a Oliva Creative Factory inclui uma incubadora para negócios criativos, “organizada segundo o paradigma do open space com o objectivo de maximizar a comunicação e as sinergias”, com capacidade para acolher 15 empresas (representando 45 postos de trabalho) e um “business center”, para a instalação de empresas de índole criativa com maturidade (sem necessidade de incubação), podendo este acolher oito empresas, totalizando 38 postos de trabalho.
A Oliva vai disponibilizar ainda espaços complementares como oficinas diversas, estúdios de som, entre outros.
O edifício a poente destina-se às indústrias culturais, onde vai ser criado um centro de arte contemporânea que contará com uma exposição permanente e com exposições temporárias, escolas de formação nas áreas da dança, conservação de património e no âmbito das fine arts e um centro de documentação da história da Oliva.
Neste serão ainda criadas residências artísticas para receber “artistas e criadores provenientes de outras regiões geográficas”.
Haverá ainda uma área destinada à formação artística e cultural.
E porque este pretende ser um espaço de “permanente criação e criatividade”, vão ser criados “diversos espaços sociais de convívio e networking informal, como por exemplo um eventual restaurante ou cafetaria, lojas comerciais e áreas de descanso”.
Na antiga sala de fornos, que acolheu esta apresentação, nasce “aquilo que chamamos de Espaço de Convergência Criativa”, uma “área multifuncional para realização de eventos de expressão artística ou empresarial”.
“Onde tudo (ou quase tudo) poderá acontecer desde que esse tudo imprima dinâmicas culturais”, apontou Suzana Menezes.
Programação até à inauguração
Embora preveja que as obras se prolonguem até ao próximo ano, estimando-se a inauguração da Oliva Creative Factory para Maio de 2013, este é um projecto que já se vive na cidade, havendo já delineada uma programação, que arrancou com a sessão desta quarta-feira.
Segundo Suzana Menezes, estão já agendados três seminários internacionais (sendo o primeiro já em Setembro deste ano), workshops de empreendedorismo, concursos criativos, inspiring moments que colocarão frente a frente jovens empreendedores e futuros empreendedores, Oliva sessions (conjunto de pequenos concertos de música), workshops de fotografia e audiovisual, filmes, exposições, entre outras actividades.
No final desta apresentação, Suzana Menezes, que iniciou a sua intervenção com a história da antiga Oliva, sublinhou que a “Oliva Creative Factory pretende fundamentalmente, e enquanto pilar da estratégia de desenvolvimento do concelho, contribuir para o crescimento económico da região, através da inovação, da iniciativa empreendedora e da criação de emprego”.
Autarcas do cluster criativo e especialista internacional falam sobre indústrias criativas
“Medir o pulso” à criatividade
A apresentação da Oliva Creative Factory trouxe a S. João da Madeira Charles Landry, considerado uma autoridade internacional sobre o uso da imaginação e da criatividade nas mudanças urbanas.
Este especialista debruçou-se sobre os desafios actuais desta economia global e de como a criatividade pode ajudar a alavancar novas oportunidades.
Ciente de que “todas as cidades estão a tentar ser magnéticas” e que já existe a consciência da importância da criatividade um pouco por todo o mundo, Charles Landry sublinhou que é imperativo identificar e valorizar o que diferencia cada uma e ter a capacidade de mudar a forma como pensamos e até como nos organizamos.
Acreditando no projecto Oliva Creative Factory e demonstrando a sua admiração pelo espaço e sua envolvência (fez questão de destacar o edifício da Torre da Oliva e as cegonhas que moram na antiga chaminé industrial próxima), mas também pela história da antiga metalúrgica, Charles Landry defendeu que este projecto tem de funcionar a um “nível internacional”.
“S. João da Madeira is small enough to make it happen, but big enough to be taken seriously”, ou seja, a cidade é pequena o suficiente para o fazer acontecer, mas grande o suficiente para ser levado a sério, acredita Charles Landry, que defende que, paralelamente com estes projectos, tem também de se “medir o pulso” à criatividade da cidade.
A sessão de apresentação da Oliva Creative Factory juntou os presidentes de câmara de quatro municípios – S. João da Madeira, Santa Maria da Feira, Santo Tirso e Paredes – que integram o cluster de Indústrias Criativas em que a região norte se quer afirmar.
Segundo Castro Almeida, a “orientação estratégica” de S. João da Madeira “está definida”: “qualificar a cadeia de valor dos nossos produtos tradicionais e, em simultâneo, incentivar os sectores emergente”.
O presidente da autarquia sanjoanense acredita que as “cidades vão ter de ser mais proactivas e interactivas” e menos fechadas em si próprias, tendo de alterar até o seu “léxico”, adoptando palavras como “inovação, banda larga, wi-fi, patentes, competitividade”, entre outras.
Além da Oliva Creative Factory, que está a “transformar uma ruína industrial em espaço de criação e inovação”, Castro Almeida referiu também a candidatura que une os municípios de S. João da Madeira, Santo Tirso e Paredes, com vista a “valorizar o design” de produtos tradicionais como o calçado, têxteis e móveis.
Alfredo Henriques apontou que, em Santa Maria da Feira, as indústrias criativas surgiram no seguimento de grandes eventos como a Viagem Medieval, o Imaginarius ou a Terra dos Sonhos. Hoje o município aposta na Caixa da Criatividade, muito vocacionada para as artes de rua, com Alfredo Henriques a destacar que todos estes projectos em curso na região se “complementam”.
Em Santo Tirso, a aposta nas áreas criativas está intimamente ligada ao sector têxtil, através da moda e design, como explicou o autarca Castro Fernandes.
Já em Paredes, o município identificou o design como “factor diferenciador” na indústria dos móveis, com Celso Ferreira a confessar que não acredita nas indústrias criativas “se não estiverem assentes em tradição”.
Para o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, “nenhum destes projectos pode sobreviver com dimensão municipal”, pelo que devem ter “ambição metropolitana e regional, diria mesmo nacional”.
No caso da Oliva Creative Factory, Castro Almeida sublinha que com a obra física “o papel da Câmara fica feito” e agora “damos a palavra aos criadores do nosso país”.
Nesta sessão marcaram presença também Carlos Neves (vice-presidente da CCDR-N) e Mário Lobo (director-geral da Direcção-Geral das Actividades Económicas), com ambos a destacarem a importância das indústrias criativas e inovação na criação de valor, com vista à estimulação da criação de emprego.


