Secretário de Estado do Empreendedorismo visita empresa sanjoanense
“Um exemplo de inovação nos mercados globais”
24-05-2012 | por António Gomes Costa
O secretário de Estado do Empreendedorismo, Carlos Oliveira, esteve, na passada sexta-feira, em S. João da Madeira, onde, integrado na semana dedicada ao empreendedorismo e inovação, visitou a empresa CEI - Companhias de Equipamentos Industriais. Apesar das palavras de incentivo, o membro do governo lembrou que o recurso à banca não é solução para as empresas em Portugal.
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O secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Oliveira, reconheceu, sexta-feira, dia 18, em S. João da Madeira, que o recurso à banca não é solução para as empresas em Portugal. Durante a visita de trabalho que efectuou à empresa CEI – Companhias de Equipamentos Industriais, fez questão de avaliar a implementação e os resultados do Programa Estratégico para o Empreendedorismo e Inovação. Nas instalações da empresa, que se dedica principalmente ao fabrico de tecnologia para as indústrias do calçado, do metalomecânico, do automóvel e das rochas ornamentais, e que exporta cerca de 50 por cento da sua produção, deu conta de que a empresa sanjoanense “é um exemplo de uma empresa que utiliza a inovação para estar competitiva nos mercados globais”, considerando-a, assim, um modelo de utilização dos “incentivos à inovação e que nos permite verificar que em Portugal existe boa utilização destes fundos em prol do desenvolvimento que contribui para o aumento da nossa competitividade”.
Em S. João da Madeira, o governante tentou perceber o funcionamento e a orgânica desta empresa, e, na altura, atendendo ao funcionamento dos cursos de empreendedorismo para desempregados, disse: “a ida à banca, agora ou noutra altura qualquer, não é a solução adequada para quem está a começar o seu negócio”.
O secretário de Estado justificou as suas palavras, uma vez que, em sua opinião, “a banca avalia o risco de uma forma diferente da que avaliarão os ‘business angels’, ou capital de risco, ou outro tipo de financiamento mais adequado à criação de novas empresas”.
No próximo mês, segundo o secretário de Estado, o Governo apresentará “a nova Sociedade Capital de Risco, que, resultando da reforma que está a ser feita no capital de risco público, é a fusão das três sociedades actuais numa única entidade”. Tal aposta pretende criar “uma nova estratégia e um novo envelope financeiro de apoio aos empreendedores”, que estejam em fase inicial ou já se encontrem a desenvolver actividades nas suas empresas.
Carlos Oliveira anunciou que o empreendedorismo e inovação terão, por parte dos fundos do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), uma linha de 1500 milhões de euros, a lançar em final de Janeiro de 2013, além dos “mais de mil milhões já aprovados pela banca”, acrescidos do alargamento das linhas PME Invest.
Perante esta situação, o secretário de Estado garante: “o Governo tem estado muito atento. Sabemos que é um problema muito complicado, mas no que diz respeito às novas empresas, e se existirem bons projectos com boas equipas, bem pensados, existe capital em Portugal e no mundo disponível”, concluiu.

A solução terá de passar pelas exportações

Fernando Sousa, sócio gerente da empresa, em declarações à nossa reportagem, garantiu que a presença do membro do governo na sua empresa é sempre um motivo de grande satisfação. “Foi possível apresentar a nossa empresa, dar a conhecer os produtos actuais, o que estamos a fazer e dar a conhecer as nossas perspectivas para o futuro”.
Questionado relativamente às declarações do decretário de Estado, ao afirmar que o recurso à banca não é solução para as empresas em Portugal, aquele empresário “compreende que seja a opinião do ministério da economia que, obviamente, as empresas devem encontrar outras formas de financiamento, não o financiamento directo bancário”. No entanto, “isso é mais motivado pelas dificuldades que o sector financeiro, ou o sector bancário, neste momento, têm em Portugal do que propriamente pelo excesso de crédito que as empresas têm”.
 Fernando Sousa garante que muito se tem escrito relativamente ao elevado endevidamento das empresas portuguesas. No entanto, entende que ainda “falta averiguar quanto desse financiamento bancário está nas mãos das pequenas e médias empresa ou nas mãos de grandes empresas, nomeadamente das públicas”. E, por isso, não acredita “a política de retirar financiamento às empresas, nomeadamente das importadoras, seja neste momento aconselhável para o país”. Não tem dúvidas de que, “para Portugal sair da situação em que se encontra, a solução terá de passar obrigatoriamente pelas exportações”.

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