O que vai mudar com os três agrupamentos?
24-05-2012 | por António Gomes Costa
Ainda não é conhecida qualquer decisão por parte do secretário de Estado da Educação relativamente à criação dos três agrupamentos em S. João da Madeira, sedeados em cada uma das três escolas secundárias.
No entanto, a nossa reportagem quis conhecer a opinião dos directores das escolas secundárias de S. João da Madeira relativamente a esta decisão e questionou os quatro responsáveis pelas escolas envolvidas, para tentar perceber o que vai mudar e de que forma decorreu todo este processo dos mega-agrupamentos, que vem juntar-se a uma série de outras medidas anunciadas pelo ministro da Educação, como o regresso dos exames, o aumento do número de alunos por turma e a reorganização curricular, que poderá levar, segundo os sindicatos, milhares de professores para o desemprego.
Se uns directores falam do assunto, outros preferem neste momento o silêncio, pelo menos para já. “Está ainda no processo interno de comunicação e por isso reservo qualquer comentário para mais tarde”, deu conta Aníbal Almeida, da Escola EB2/3, que fará parte de um agrupamento que resulta da fusão desta escola, até agora sede de agrupamento, com a Escola João da Silva Correia e as EB1/JI das Fontainhas, Carquejido, Casaldelo, Parrinho e Conde Dias Garcia.
Apesar do nosso esforço Mário Coelho, da Escola Secundaria Oliveira Júnior, não respondeu ao nosso questionário até ao fecho da nossa edição.
Irene Guimarães, directora da Escola Secundária Dr. Serafim Leite
Jornal ‘O Regional’ - Foram criados três agrupamentos na cidade. Qual a sua opinião desta reestruturação da rede escolar no concelho?
Irene Guimarães - Este foi, segundo a minha opinião, bem como a opinião do Conselho Geral da Escola, o melhor cenário para a Serafim Leite, considerando o actual e complexo contexto, porque propulsor do necessário equilíbrio da rede escolar do concelho de S. João da Madeira. Possibilita, por outro lado, o alcançar do objectivo de universalização da frequência da Educação Básica e Secundária, de modo a que os alunos entre os cinco e os dezoito anos de idade frequentem o mesmo estabelecimento de ensino, com um projecto educativo comum e o mesmo regulamento interno. Na assunção plena de que será possível criar um sentimento de pertença e de fidelidade que se possa reflectir, positivamente, no processo de ensino e aprendizagem, apenas pretensamente quebrado por opções que se prendem com percursos formativos diferenciados, promotores de uma necessária mudança de escola/agrupamento, penso que foi a melhor opção, a curto prazo, para a Serafim Leite e, também, para o concelho.
Ao que se sabe, o processo não foi fácil. Como vê o futuro?
Todo e qualquer processo de mudança é difícil, porque legitimamente associado a resistências à mesma mudança. Consequentemente, este não foi um processo fácil.
Emerge, agora, um novo paradigma de Escola/Agrupamento, com novas políticas, opções e actuações que urge pensar, projectar, concretizar. Independentemente dos constrangimentos e dificuldades, há a firme convicção de que, com trabalho diário, perseverança, motivação, objectivos concretos, fé e muito empenho, a Serafim Leite poderá, consubstanciada em mais de 50 anos de um passado dedicado ao ensino, projectar-se num futuro que lhe seja favorável.
Vai continuar a existir um bom relacionamento entre os três agrupamentos, ou pensa que continuará alguma crispação que acompanhou e conduziu até esta solução?
Nunca constatei qualquer tipo de crispação entre os intervenientes neste processo. Houve, sim um processo de auscultação/negociação/decisão difícil, o qual também ninguém esperava fácil, maioritariamente baseado no respeito e na responsabilização, que terminou no actual cenário. Tenho a certeza de que haverá uma forte colaboração entre as Escolas/Agrupamentos, como sempre houve até aqui. S. João da Madeira não pode admitir que conflitos interfiram prejudicialmente no parque escolar que é procurado por muitos alunos, pais e encarregados de educação também de outros concelhos. Prevalecerá, tenho a certeza, a complementaridade da oferta formativa e a salutar competitividade, porque as Escolas/Agrupamentos são, genuinamente diferentes, com a sua identidade própria, mas todos com os seus pontos menos fortes e muito fortes. É preciso conhecê-los e deles saber tirar o melhor partido. Ganham os alunos. Ganha o ensino e aprendizagem. Ganha S. João da Madeira.
Quais serão os problemas que podem afectar as escolas num futuro muito próximo?
Numa altura de incerteza, são muitos os problemas. É difícil enumerá-los. De fácil ou difícil resolução, há que enfrentá-los realística e seriamente. O importante, em detrimento de inventariar problemas, é arranjar soluções. Há, também, um quadro legislativo que se está a formar e que, necessariamente, terá de acompanhar as mudanças que se implementam.
Como será o relacionamento com a autarquia, com a DREN e com o Ministério da educação, numa altura em que se prepara uma “revolução” nas escolas?
A revolução nas Escolas faz-se diariamente. E é bom que se faça: a revolução da descoberta, do estudo, do empreendedorismo, da partilha, do respeito, da responsabilização, ... com trabalho, dedicação, seriedade, envolvimento, entrega, por parte de todos os seus agentes. A DREN terá de cumprir com a sua tarefa: assegurar, no âmbito das suas competências, as condições possibilitadoras de um crescimento organizacional e sustentável das Escolas/Agrupamentos. A Autarquia saberá, também, como privilegiada parceira, apoiar e incentivar todo o trabalho das Escolas.
Margarida Violante, Escola Secundária João da Silva Correia
Jornal ‘O Regional’ - Foram criados três agrupamentos na cidade. Qual a sua opinião desta reestruturação da rede escolar no concelho?
Margarida Violante - Há actualmente uma reestruturação das escolas da responsabilidade do Ministério da Educação à qual tivemos de dar resposta, envolvendo-nos com as outras escolas na procura da melhor opção para este concelho, considerando a realidade e as necessidades educativas do meio em que as escolas se inserem. A reorganização encontrada resultou de um consenso que foi entendido como aquele que melhor responde às necessidades actuais do nosso território educativo.
Ao que se sabe, o processo não foi fácil. Como vê o futuro?
Neste processo, dada a sua complexidade, a discussão é natural e a divergência de opiniões é inevitável. Mas o profissionalismo de todos os envolvidos e com a colaboração da Câmara Municipal foi possível chegar a uma decisão para a cidade, não antevendo dificuldades que ponham em causa nem a qualidade do ensino que é ministrado em S. João da Madeira, nem as instituições.
Vai continuar a existir um bom relacionamento entre os três agrupamentos, ou pensa que continuará alguma crispação que acompanhou e conduziu até esta solução?
Não há qualquer razão para que a colaboração que tem vindo a ser feita entre todas as escolas deixe de existir. Mais do que nunca é necessária uma gestão participada de todos. O espírito colaborativo é fundamental para um melhor funcionamento das escolas e da rede escolar, sendo que a qualidade do ensino e das práticas pedagógicas só podem beneficiar com um projecto conjunto para o concelho.
Quais serão os problemas que podem afectar as escolas num futuro muito próximo?
Temos de nos preparar para uma reorganização e afectação dos recursos humanos, docentes e não docentes, e para uma nova dinâmica, sobretudo a nível de uma nova realidade escolar que decorrerá da agregação entre esta escola secundária e a EB2/3.
Como será o relacionamento com a autarquia, com a DREN e com o Ministério da educação, numa altura em que se prepara uma “revolução” nas escolas?
Há de facto necessidade de uma adaptação a novas propostas, mas não me parece que esteja em causa o relacionamento entre as instituições.


