Escola de Casaldelo
Escola centenária em livro de memórias
26-04-2012 | por António Gomes Costa
Voltar à escola de há cem anos. Alegria, sorrisos, recordações e muita emoção. Este foi o sentimento de antigos alunos, que participaram na apresentação de um livro de memórias, aberto à comunidade, para assinalar a comemorações do centenário da Escola de Casaldelo, em S. João da Madeira.
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“Recordar o passado para construir um futuro melhor”. Este é o grande objectivo da criação do livro «Memórias Escola de Casaldelo» que assinala o centenário de uma das escolas mais antigas de S. João da Madeira, garante Helena Ribeiro Braz, coordenadora da escola, pois “não existe nada registado nesta escola”. A apresentação e abertura oficial do livro aconteceram segunda-feira, dia 23, curiosamente, no Dia Mundial do Livro e na Semana da Terra.
O grande objectivo, segundo aquela responsável, é “abrir um livro de memórias que possa ser construído por muitas mãos de sanjoanenses que passaram pela escola”. E garante:  “a escola estará sempre aberta para os receber”.
Este livro de memórias “inacabado” ficará na escola para consulta, “a não ser que alguém o queira publicar”, mas tem como objectivo reunir memórias, testemunhos, histórias, fotografias de uma escola com história em S. João da Madeira, cujo edifício centenário acolhe, neste momento, o Jardim de Infância de Casaldelo.  
Segundo a docente, se “as pessoas voltarem a sonhar, como sonhavam na sua infância, certamente vão ser mais felizes. E, se conseguirmos transmitir às nossas crianças de hoje que os sonhos podem ser concretizados numa altura em que anda tudo pessimista, só por isso vale a pena sonhar”.
Um grupo de idosos da Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira, antigos alunos e professores marcaram presença e partilharam, na inauguração oficial, as memórias das antigas secretárias das escolas.
Este é um projecto que, segundo a coordenadora, tem vindo a ser adiado há muito tempo, conta já com algumas imagens, recortes de imprensa, na sua maioria do jornal ‘O Regional’, memórias e uma dedicatória que explica as razões e objectivos da iniciativa. A mensagem é clara e conduz-nos numa viagem à infância destas pessoas, permitindo que, quem ali andou, “volte a sonhar e que possa ajudar as crianças de hoje a realizarem os seus sonhos”. As crianças ouviam com atenção as memórias dos adultos e, se por um lado as histórias eram fascinantes, por outro, estranhas ou confusas de entender. Os mais novos ficaram a saber que nessa altura não existiam disciplinas, não entendiam muito bem a separação entre rapazes e raparigas, dificuldades em entender o papel de professor, que é diferente dos de hoje, mostraram grande espanto perante a responsabilidade que as crianças tinham na limpeza da sala, no transporte da lenha para aquecer as salas, ir e voltar a pé…
Aos 65 anos, Ângelo Gomes foi um dos antigos alunos que marcou presença na apresentação do livro de memórias. Em declarações à nossa reportagem, não escondeu a emoção de recordar a escola que o viu crescer, a sua rebeldia, os jogos, recordar amigos e de recuar no tempo e nas memórias onde, garante, ter sido muito feliz. “Andei nesta escola entre 1954 e 1957. Continua a ser um edifício muito bonito, com as mesmas linhas, assim como as árvores, que são as mesmas”. Viajando pelas memórias, enalteceu o trabalho das professoras da altura. “Um professor era uma autoridade e, quando entrava na escola, os alunos levantavam-se”. A educação era outra e recorda que, todas as quintas-feiras, “o padre Aguiar passava pela escola para ensinar religião e moral”.

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