23-02-2012 | por Serafim dos Santos Barata
Do latim: Volenti Nihil Difficile - Ao que quer (a valer), nada é difícil!
Do português: Faz mais, quem quer, do que quem pode!
Foi exactamente (querer), o que fez o vetusto jornal, ‘O Regional’ durante os seus 90 anos de vida.
A defesa intransigente dos interesses e legítimas aspirações da nossa terra.
O combate (o bom combate), em defesa da Grei, a sua determinação em fazer ver, e fazer sentir, de que lado é que está a razão.
Publicou admiravelmente nas suas páginas, durante esta longa existência, com escrupulosa verdade e com inteira justiça, tudo aquilo que a nós, sanjoanenses, nos dizia respeito.
O respeito, por aquilo que é nosso!... e não de outrem!
Lutou incessantemente - e continuará a lutar, com enorme elevação e com a elegância, como é seu apanágio, pela verdade, pela justiça, pela família e pelo progresso sanjoanense… porque essa luta é o seu próprio desígnio, a sua vontade, a sua missão.
Ao longo da sua vida, o jornal ‘O Regional’ foi confrontado (aliás, como tudo na vida), com vitórias e derrotas, com sorrisos e amargos de boca (muitíssimos mais amargos de boca), com a alegria e a tristeza, com a euforia e o desânimo, com a fortuna e a penúria de meios.
Por tudo isto, o jornal passou incólume, como quem passa, por entre a borrasca tempestuosa e medonha, ou pelos dias, bonançosos e perfumados da juvenil primavera.
Desde os meus seis anos de idade que sou leitor do jornal.
Já lá vão 70 anos da minha vida a ler o jornal, que considero como se fosse meu.
Na minha família, a avó de minha mulher (logo também minha avó), a Ti Ritinha Recoveira, durante 30 anos (saia arrepanhada pela cintura, os pés desmudos e, à sua cabeça, transportou de S. João para Ovar (onde o jornal era impresso) e de Ovar para S. João, quer chovesse, ou fizesse sol, houvesse frio ou calor, com o maior desvelo, aquele que era objecto do seu carinho.
O jornal ‘O Regional’!... O seu menino, como ela amorosamente lhe chamava!... Aliás, como está patente no átrio da entrada do jornal através de uma magnífica pintura de autoria do mestre pintor sanjoanense e meu querido amigo, senhor Armando Tavares de Almeida.
É, pois!, com um misto de saudade, de ternura e de amor que todas as semanas, ao entrar no edifício do jornal, detenho o meu olhar na imagem (que tantos conselhos e lições de vida me deu), que simboliza o querer, a força, a vontade, a raça de ser… sanjoanense!
Eu próprio… sem qualquer sentimento de vaidade, mas com indesmentível orgulho (porque escrevo e assino modestas crónicas, todas elas publicadas pelo jornal) de perpetuar o nome da minha querida Rita da Costa Lima, a Ritinha Recoveira.
Consequentemente, também sou (porque a direcção do jornal entendeu colocar o meu nome no corpo redactorial), membro desta grande família do jornal ‘O Regional’.
Auguro para o jornal ‘O Regional’ (como escreveu o notabilíssimo cronista Carlos Dias, o verdadeiro livro de história de S. João da Madeira), longa vida, que continue a trilhar os caminhos da verdade, da paz, da justiça e do amor, entre todos os sanjoanenses.
Que continue a ser o farol, a iluminar alguma da escuridão que nos cerca, nos aprisiona e tolhe os passos.
Que continue a ser (como é seu timbre) a voz clara e límpida dos sanjoanenses, clamando com elevação pelos direitos que porventura nos pertençam, e também pelos deveres que como cidadãos devemos ter, para com o nosso semelhante… nosso irmão.
A todos os que fazem o jornal ‘O Regional’ para que tenhamos o privilégio de o ler, o prazer de lhe sentir o cheiro, a comoção em desfolhar as suas folhas e o sentir vivo e palpitante, a todos, sem excepção, desejo a continuação desta longa vida, a pugnar com a virilidade de um jovem moço, pelos superiores interesses da nossa terra.
Jornal ‘O Regional’, marco indelével da imprensa regional portuguesa.
Bem-haja.
Os meus parabéns.


