De tudo... um pouco - XXX
João Paulo II (18-5-1920 / 2-4-2005)
23-02-2012 | por Carlos Alberto Pereira Dias
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"Se alguém merece ser lembrado é porque não morreu inteiramente."

(Unamuno)

 

- Homenagem póstuma e filial àquele que foi a figura mais proeminente do Séc. XX – HOMEM da PAZ, do AMOR, da IGUALDADE, da FRATERNIDADE e da CONCILIAÇÃO -

 

Nesta nossa crónica vamo-nos debruçar sobre o saudoso Papa JOÃO PAULO II, apresentando uma síntese do que foi a vida deste ilustre e santo HOMEM da Igreja.

Karol Josef Wojtyla, era o seu nome de baptismo, nasceu na pequena cidade de Wadowice, na Polónia, às 17 horas do dia 18 de Maio de 1920.

Conta-nos a gente do seu tempo que, "quando Karol nasceu, nesse preciso momento, entrou um raio de luz pela janela do quarto de sua mãe. Outros juram que no exacto instante em que a criança veio ao mundo começaram a ouvir-se cânticos religiosos vindos da igreja que ficava do outro lado da rua. Uns e outros sublinham a extraordinária coincidência de, muitos anos mais tarde, Karol Wojtyla ter sido eleito Papa às 17 horas, significando isso um segundo nascimento".

Karol foi o segundo filho do casal Emilia e Karol Wojtyla, ela doméstica, ele militar, que haviam tido um primeiro filho, de nome Eduardo, 14 anos, antes da criança que acabava de nascer.

Inicialmente, a mãe chamava-o de Lolus e, mais tarde, todos o chamavam por Lolek, nome por que vem a ser conhecido em toda a sua vida de criança e adolescente.

A família de Karol era muito católica e o rapaz, à medida que ia crescendo, ia colhendo os ensinamentos que os pais lhe incutiram. Em Abril de 1929, Lolek fica sem mãe, quando contava apenas 9 anos. Três anos depois, faleceu o irmão Eduardo, que era médico, vítima de uma epidemia. Fica sozinho com o pai. Este o irá acompanhar na infância e adolescência até Fevereiro de 1941, altura em que faleceu.

Entretanto, o nosso jovem entra para a escola, onde se distingue dos colegas pela postura, boas notas e boa camaradagem que nutre para com eles. Com a idade de 11 anos, vai para o liceu e aí descobre ter uma certa aptidão para o teatro. Depressa é incluído no grupo de teatro amador da escola, revelando dotes artísticos extraordinários que o levam a fazer os papéis principais das peças que iam à cena. Para além do teatro, era um excelente desportista e adorava futebol.

Dizem que, na altura em que andavam no liceu, pelos anos 1938,conheceu uma linda moça, colega de estudo, de nome Halina, por quem tinha especial amizade, chegando alguns amigos a afirmar terem percebido um namorico entre eles. Mas, como mais tarde dizia o próprio Karol, não passou de uma boa e sã amizade.

Terminado o liceu, pai e filho mudam-se para Cracóvia, onde o nosso jovem vai estudar filosofia, ingressando na Universidade. Ali, foi, como disseram seus colegas, "um tipo talentoso e inteligente, mas que não procurava brilhar…".

Continua a gostar de teatro e, por essa altura, escreve os primeiros poemas que se lhe conhecem. O seu entusiasmo com a Universidade e com o teatro era enorme. Vivia demasiado o seu quotidiano de estudante, sem saber o que, em breve, o esperaria. Hitler, em 1939, ocupa a Polónia e manda fechar a Universidade de Cracóvia e muitas escolas. Karol, como muitos milhares de jovens, fica sem escola, sentindo que o seu futuro está comprometido. Sem possibilidades de poder continuar os estudos, resolve ir trabalhar para as pedreiras de Zakrzowek. Trabalho duro e difícil, pois não tinha grande jeito e ainda era gozado pelos colegas. Entretanto, e sempre que podia, muitas vezes às escondidas, rezava e lia muito. Mas, a sua vida iria transformar-se por completo com a morte do pai, que ocorreu em Fevereiro de 1941, como acima foi dito.

Como asseveram alguns dos seus biógrafos, Karol Wojtyla sentiu-se vocacionado para o sacerdócio, mas não entra de imediato para o seminário. Enquanto aguarda essa entrada, continua a trabalhar na pedreira, sendo, mais tarde, transferido, no verão de 1941, para a estação de tratamento de águas de uma fábrica de produtos químicos. Trabalho duríssimo que tem durante três anos. Apesar de tudo, capta muitas amizades entre os colegas e alguns deles ficaram seus amigos pela vida fora.

"Esta sua faceta de operário foi recordada no Outono de 1978 pelos operários da Solvay, uma fábrica de Livorno, que fizeram a seguinte manchete no seu jornal: - Um dos nossos foi eleito Papa!"

Quando completou 22 anos, informa colegas e amigos que decidiu ser padre, tendo somente uma dúvida: ser monge no Carmelo ou entrar para um seminário regular.

No dia 30 de Outubro de 1946, Karol Wojtyla era ordenado sacerdote. Em Roma estuda Teologia durante os dois anos seguintes.

Incentivado pelo arcebispo de Cracóvia, viaja pela Europa. Em 28 de Julho de 1948 chega a Niegovic, a sua primeira paróquia, pequena aldeia, onde permanece apenas alguns meses e não lhe deixou boas recordações. Nos anos seguintes, o padre Woj­tyla lecciona na Universidade e dedica-se, ao mesmo tempo, à pastoral dos jovens.

Em Agosto de 1958, encontra-se nas montanhas acampando com jovens. Nessa altura, é chamado a Cracóvia e o arcebispo Primaz da Polónia, Wyszynski, convida-o para bispo, substituindo um prelado que havia falecido meses antes.

O padre Wojtyla fica surpreso pelo convite, que aceita, perguntando ao Primaz: - "Tenho de assinar alguma coisa?"

Nomeado bispo auxiliar de Cracóvia, aos 38 anos, Karol continua a viver próximo à Universidade e, em 1960, dá a lume uma peça de teatro que denominou "A Oficina do Ourives".

E, conforme narram alguns dos seus biógrafos, "em 1963, recebe um telefonema do Papa Paulo VI, que faz questão de o convidar, pessoalmente, para o lugar de arcebispo auxiliar de Cracóvia; no dia 21 de Junho de 1967, aos 47 anos, é um dos cardeais mais jovens da Igreja Católica; nos dia 14 de Outubro de 1978, a Cúria Romana reuniu-se na Capela Sistina para escolher o sucessor da Papa João Paulo I, morto menos de dois meses após ter sido eleito. Na porta onde todos os cardeais tinham de passar, um repórter fotográfico da revista "Time" retrata cada um dos prelados porque, se é verdade que há favoritos, não é menos verdade que qualquer daqueles homens pode ser o próximo a sentar-se na Cadeira de Pedro. Quando percebe que vai ser fotografado, o Cardeal Wojtyla diz ao fotógrafo, em tom de brincadeira : "a mim não! Não vale a pena!"

Após longas horas de incerteza, dois dias depois, o Colégio dos Cardeais nomeia o polaco Karol Wojtyla como novo sucessor de São Pedro.

Passados alguns dias, já instalado nos seus aposentos no Vaticano, o recem-eleito, que adoptou o nome de JOAO PAULO II, escreve uma carta cheia de ternura a uma mulher polaca a quem trata por Lusiu. Esta mulher chama-se de facto Felija Wiadrowska; é professora aposentada e prima de Karol Wojtyla. Mais do que prima, Lusiu é a única família que resta a este Homem muito só, mas com o mundo a seus pés".

(continuaremos proximamente)

 

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