Rádio Regional Sanjoanense
«Conversa a Dois» convida António Vitorino D’Almeida
23-02-2012 | por António Gomes Costa
O mais famoso dos maestros está intimamente associado ao panorama musical português de que é crítico atento. Com uma cultura vastíssima, afável e irónico, garante que foi sempre um apaixonado pela arte da composição. António Vitorino D’Almeida será o próximo convidado da «Conversa a Dois», na Rádio Regional Sanjoanense.
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"Sou e serei sempre compositor!"

. Esta é a grande certeza de alguém que sente a música com paixão. "Durante alguns anos fui concertista dentro do sistema mais tradicional, mas essa foi uma actividade que, quando fui para a embaixada, sentiu necessidade de abandonar", acrescentou.

António Vitorino D’Al­meida, que nasceu em Lisboa, em 21 de Maio de 1940, será o próximo convidado do programa semanal da Rádio Regional Sanjoanense «Conversa a Dois» - aos sábados, entre as 11h00 e as 12h00, com repetição às quartas-feiras, entre as 19h00 e as 20h00.

A assinalar cerca de 56 anos como profissional, garante que os portugueses o têm tratado muito bem. "Não tenho dúvidas de que sou estimado por todos, até pelas pessoas mais inesperadas". Mas, quanto ao nível das instituições que têm "poder e até políticas de um modo geral, é o oposto " (risos) e, por isso, sente que "sou mal aproveitado nas coisas que poderia fazer".

Gostar de música é algo instintivo, garante. "De uma forma geral, as pessoas gostam de música, muitas vezes até de mais. A partir dos anos 60, criou-se uma cultura juvenil baseada em outras opções musicais que não foi boa".

Numa conversa sem pressas nem reservas, o maestro, sempre de sorriso largo, garantiu que diz sempre aquilo que pensa. "Mas deve pensar-se sempre naquilo que se diz" (risos).

"Sou mal aproveitado nas coisas que poderia fazer"

Nesta entrevista falou de afectos e da família, grande parte dela ligada à música. "O meu avô paterno tinha jeito para a música; a minha mãe, pelo contrário, teve uma formação profissional como cantora, que não exerceu, e eu sou este que todos conhecem e a minha filha Ana é a única que está ligada à música, a Maria ao cinema… Todos gostam de música, mas de uma forma saudável".

Escrever continua a ser uma grande paixão. "Tenho uma gaveta cheia, mas nenhum compositor escreve com intenção de deixar as suas obras na gaveta. Podem demorar a sair e, muitas vezes, quando saem, já é tarde". O maestro entende que em Portugal existem vários tipos de música, que conta com valores muito bons. "Uma nova geração muito rica, com muita qualidade, mas que se confronta com fraqueza de estruturas horrendas".

António Vitorino D’Al­meida considera que Lisboa continua a ser uma cidade de província, "que não cumpre minimamente as suas funções de capital. Em termos culturais, um país que não tem uma ópera, uma orquestra… só pode ser atrasado!".Afirma não ter dúvidas de que o governo não respeita a cultura e, nesse sentido, "as pessoas são desrespeitadas, sejam maestros, escritores, rea­lizadores… Ninguém!".

Lembra que há muitos anos que não ouve críticas às suas obras. "Sabe porquê? Porque as críticas não as vão ouvir!" (risos).

Questionado relativamente à sua passagem pela televisão e se a fama é ou não vantajosa, é rápido na resposta: "A fama de nada me tem servido! A melhor coisa que me tem compensado são as salas por onde passo nunca estarem vazias".

O maestro tem ainda vários livros e CD’s editados, tanto em Portugal como no estrangeiro.

 

 

 

 

 

 

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