Cartas ao Director
“José Vieira Araújo - O Senhor Viarco”
26-01-2012
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Venho até si, na sequência de alguma indignação que me tem sido transmitida verbalmente, por pessoas do meu círculo de conhecimentos, nomeadamente, ex-colegas de trabalho e família, que resultou de alguns artigos vindos a público através da mais diversa comunicação social, na qual se integra o jornal que V. Exca. tão bem tem dirigido, sobre a Viarco.
Após leitura recente, devido a um período prolongado de ausência da nossa cidade, do artigo publicado no vosso número 3384 de 20 de Outubro último, intitulado “José Vieira Araújo - O Senhor Viarco”, confesso que, a já referida indignação colectiva me contagiou. Assim, e no direito de resposta que me assiste, em virtude de, no referido artigo, a minha pessoa ser mencionada, e até porque é da verdade que se faz a história, venho até V. Exca., com vista ao cabal esclarecimento dos factos, solicitar-lhe a publicação integral desta missiva.

Assim, no exercício desse direito, passo a elencar a verdade sobre alguns dos factos que dela carecem, no artigo supra mencionado, de forma sintética:
- A minha saída da gerência da empresa deveu-se exclusivamente ao facto de ter acumulado funções de gerência noutra empresa associada, por convite da própria “Viarco”; e que, por motivos alheios à mesma, o acumular destas funções era incompatível. Lembro que o artigo menciona “problemas de saúde”.
- Durante anos, exerci as funções de gerente, em conjunto com o Dr. M. Guilherme Vieira Araújo e com o Eng. José Luís Vieira Araújo, acumulando pessoalmente as responsabilidades inerentes à Direcção de Produção, Direcção Comercial e Investigação & Desenvolvimento (l&D).
Mesmo depois da minha saída da gerência, devido aos factos referidos no ponto anterior, tais funções continuaram a ser por mim exercidas.
Como corolário de todos estes esforços, adoeci. E mesmo de baixa médica era solicitado constantemente para a resolução de problemas, então apresentados pelo Sr. José V. A. Riobom dos Santos (José Vieira Araújo). Obviamente, enquanto pessoa responsável, nunca me neguei a prestar auxílio.
- Após alta médica, cerca de três meses depois, e a conselho médico, fui forçado a diminuir as minhas actividades, não deixando contudo de manter e exercer com o mesmo brio profissional, as funções de: responsável pela produção, responsável comercial por cerca de 50% da carteira de clientes e responsável único pelo departamento de l&D.
- Quanto à afirmação atribuída ao sr. José Riobom dos Santos, em que este diz ter criado o produto “Artgraf”: é totalmente falso. De facto, até à minha saída da Viarco, há cerca de dois anos, que me recorde, ele nunca tinha criado um único produto novo. Criou sim, ou subcontratou, terceiros, para desenvolver tipos de embalagem para o produto por mim criado no início dos anos 90.
A grafite aguarelável (Artgraf) foi usada pela primeira vez no início da década de 90, pelo ilustre artista plástico, Prof. José Emídio. Foi ele mesmo que sugeriu o nome para o produto. Paralelamente, fruto do seu entusiasmo pelo produto, propôs-se ajudar na sua divulgação. O projecto não prosseguiu, pois o mesmo ainda não correspondia às minhas expectativas de qualidade e funcionalidade.
Só em 2005/2007, mostrei, pela primeira vez, ao Sr. José Riobom dos Santos, o produto compatível com as minhas pretensões. Ficou, obviamente, surpreendido com um produto que nunca tinha visto, que lhe era totalmente desconhecido.
De comum acordo foram contratados designers para desenvolver embalagens diversificadas para o mesmo produto, tornando-o apelativo para diversas finalidades. Acresce ainda que, criar produtos, não é o mesmo que importar os mesmos “made in china” e acrescentar-lhes pequenos adornos que façam deles portentosas invenções.
- Não ponho em causa a capacidade do sr. Riobom dos Santos de inovar em políticas de marketing, mas não lhe reconheço conhecimentos que lhe permitam criar de raiz produtos industriais desta tipologia genuinamente novos. Aliás, não tenho conhecimento de que tenha sido recrutado pela “Viarco”, após a minha saída, alguém com conhecimentos técnicos que permitam assegurar as actividades de l&D.
- Gostaria ainda de informar que o universo das máquinas readaptadas, a que alude o artigo, foi na verdade realizado na serralharia da empresa, porém, sob minha responsabilidade até à minha saída.
Inclusivamente, as máquinas que ainda estão no activo, dedicadas a operações de embalagem e “blisteragem”, foram idealizadas, projectadas e construídas por mim ou sob minha orientação.
- Vejo no sr. José Riobom dos Santos, um óptimo comunicador perante os “media”, onde tenta passar uma imagem positiva da Viarco, mas que, como se vê, carece de maior rigor nos factos que relata.
-  Lamentável é que o sr. Riobom dos Santos não reconheça, em parte alguma dos seus artigos, o mérito a quem lhe transmitiu um legado (a empresa, o ARTGRAF, entre outros) que lhe permite hoje ter alguns aparentes resultados.

Para finalizar, presto a minha homenagem a todos os senhores “Viarco” que me antecederam e que me incutiram valores, como os da “verdade” e da “humildade”, entre muitos outros, os quais muito possivelmente não se coadunariam com o pomposo título do artigo.


Com elevada consideração,
António José Soares Vieira Araújo

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