De Tudo.... Um Pouco - XXVI
Milagres da Rainha Santa Isabel, em Arrifana
26-01-2012 | por Carlos Alberto Pereira Dias
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I – O milagre feito a uma ceguinha

Conta a tradição que a rainha Santa ISABEL, “portentoso prodígio de graça”, como lhe chamava o Agiológio Lusitano, resolve fazer a peregrinação a Santiago de Compostela. Certa manhã, deixa o Convento de Santa Clara de Coimbra, a que se acolhera, e, com a comitiva das suas damas e servidores, põe-se a caminho do Porto, onde, por certo, descansaria antes da última etapa da sua jornada.
Passa, como não podia deixar de ser, no burgo de Ryfana, segundo consta de documento dos princípios do sec. XV. Nesta localidade, na zona denominada RUA, parou para descansar um pouco. Entretanto, e sem ninguém se aperceber, sai-lhe ao caminho uma pobre mulher, tão cheia de aflição como de fé nos poderes taumaturgos, tão apregoa­dos, da Rainha e Santa.
Joelhos em terra, suplica:
- Por mercê, Senhora, ponde as vossas mãos nos olhos desta moça, que é minha filha cega de nascença!
À simplicidade do pedido corresponde a Rainha com a simplicidade da resposta. Envolta na severa e humilde estamenha do seu hábito de Clarista, comovida com a súplica do coração aflito de uma mãe, com a alma erguida à bondade de Deus, a Rainha estende as mãos para a ceguinha e, certa de que Deus operava por seu intermédio, como quando pronunciou o solene  “Faça-se a Luz!”, tocando-lhe os olhos apagados, com os dedos, pelos quais tanta esmola tinha passado, disse com meiguice:
-Vê, minha filha, as maravilhas do Senhor!
E a menina viu.
Pode imaginar-se o pasmo da mocinha, à vista das pessoas e das coisas, de que nem suspeitava as formas e cores, a gratidão daquela mãe e o acréscimo de veneração dos fiéis vassalos e acompanhantes da Rainha.
Foi tamanho o alvoroço, na RUA, quando os moradores todos se juntaram à volta da miraculada, para verem e se certificarem do que a Rainha havia feito; tanto se cantou e bailou, à porta da sua casa; tantos louvores se ergueram, sentidamente, a Deus Nosso Senhor, que uma ferida ficou aberta na alma do burgo de Ryfana, para nunca mais cicatrizar. Uma ferida de amor, a assinalar o feito, pelos séculos, pois que, ainda hoje, em ARRIFANA, se fala do milagre que a Rainha Santa operou, para fazer que a ceguinha ficasse a ver.
O povo humilde sabe reconhecer e agradecer. E a partir de então a Rainha Santa Isabel, e seus milagres, são lembrados por ocasião das Festas, que, anualmente (mês de Julho), se fazem em sua honra, nesta risonha e progressiva VILA DE ARRIFANA.

***
II – O Milagre da Laranjeira

Na sequência do milagre a que acima nos referimos, e ainda na mesma altura da passagem da Rainha Santa Isabel por Ryfana, ocorreu outro milagre, que vamos de seguida descrever.
Após a morte de El-Rei D. Dinis, sua esposa D. Isabel resolveu ir em peregrinação a Santiago de Compostela, Espanha.
Já o povo lhe chamava, nessa altura, Rainha Santa e acudia aos lugares por onde ela passava, a implorar a sua caridade.
Quando seguia pela estrada real de Coimbra ao Porto, entrou, em determinada altura da viagem, numa casa que servia de estalagem, a descansar das fadigas da jornada. Estava lá uma criança cega de nascença e bastou que a Rainha Santa lhe pusesse a mão na cabeça e nos olhos para que estes se abrissem à luz do sol.
- Real Senhora, como vos hei-de agradecer tamanho milagre?, perguntou a mãe da criancinha.
- Está  muito calor, disse D. Isabel. Dá-me uma laranja do teu quintal.
Grande foi a confusão da mulher porque só tinha laranjas azedas. Mas, para não desobedecer à Santa, correu a buscá-las.
Ao comer uma, D. Isabel deixou cair no chão uma semente, e desta nasceu uma laranjeira que dava laranjas doces, cada uma das quais trazia, junto ao pé, as cinco quinas das armas de Portugal.
Nesta terra, chamada ARRIFANA DE SANTA MARIA, nunca mais se puderam esquecer os milagres que a Rainha Santa operou, quando por aqui passou.
A árvore secou há muito. Mas muita gente ainda fala na laranjeira da Rainha Santa que dava laranjas doces.

Em tempo:
Estes dois históricos milagres da Rainha Santa Isabel foram recolhidos, algures, de  um livro sobre o passado histórico da Vila de Arrifana.

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