Sara Costa repete Prémio Literário João da Silva Correia
“Este livro é genial”
22-12-2011 | por António Gomes Costa
Sara Costa venceu, pela segunda vez, o Prémio Literário João da Silva Correia, edição 2011, com o seu último livro, «O Sono Extenso», uma obra poética que traz a público as vivências da sua geração que procura novos valores para nortear as suas vidas. Refira-se que o galardão foi criado pela Câmara Municipal, incluindo um apoio monetário à publicação do livro.
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A cerimónia de entrega do Prémio João da Silva Correia 2011 decorreu sexta-feira, 16 de Dezembro, na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, em S. João da Madeira.
Sara Costa repete a vitória de 2007, sendo distinguida pela “força original” dos seus poemas. A cerimónia marcou a diferença. Na entrada, todos os convidados recebiam um livro. A hora marcada foi cumprida e o encontro foi simples e intimista.
O prémio foi atribuído por um júri constituído por Rui Costa, vice presidente da autarquia, pelo escritor e professor Josias Gil e pelo editor António Baptista Lopes.
Josias Gil começou por expressar a sua satisfação pela apresentação da obra de Sara Costa, “uma repetente no prémio”, garantindo que não tem nenhum poema neste livro que não goste, “pois tudo o que possa dizer sobre o livro irá diminuir a qualidade”. Elogiou a autora, “é uma mulher bem existente no mundo de hoje e assume-se como uma criadora de universo de raiz”, realçando que “a sua escrita tem uma certa ousadia que só os verdadeiros artistas têm”. Depois, continuando a tecer elogios a «O Sono Extenso», afirmou que neste livro “não vamos descobrir nada. Sentimos que entramos numa viagem e acompanhamos a autora no acto da criação”. Por isso, entende que “estes textos não podem ser lidos como um qualquer, com a pena de não lá chegar”, pois garante que “este livro é genial”.
Sara Costa, em declarações à nossa reportagem, manifestou a sua satisfação pelo prémio com que foi distinguida, já que revela o reconhecimento dos seus valores literários. Realçou que é “necessário a existência destes prémios para incentivar a criação”.
Coloca este seu novo livro como o seguimento dos que já publicou, “onde podemos encontrar ainda umas certas reflexões sociais que tornam este livro mais apelativo do ponto de vista da reflexão”, garantindo que é uma viagem a épocas distintas. Este livro é um “adormecer e acordamos no último poema como se de uma viagem se tratasse”, sublinhou.  
Recorde-se que o júri, justificando a sua decisão, realçou a “força original, interpelante e perturbadora” do valor que os versos transmitem, tornando-se “a surpresa de uma desvairada criação de existências vivas, intensas e de uma desconcertante actualidade”.

“Sociedade dominada pela imagem”

Sara Costa diz que trocou as artes pela escrita e que desde sempre foi incutida em hábitos de leitura pelos seus pais. “Os meus pais sempre valorizaram o papel da educação da leitura e isso contribuiu para que hábitos de escrita hoje sejam evidentes na minha vida”.
Quanto aos seus gostos pessoais, a jovem escritora afirma gostar de vários poetas, mas nomeou “Alberto, António Ramos Rosa até aos mais novos da sua geração, como Nuno Brito, João Bosto da Silva, Luís de Aguiar”, poetas que, como ela, tentam dar-se a conhecer, criando “uma nova corrente literária da poesia contemporânea portuguesa”.
Numa reflexão sobre a sociedade dos nossos dias, Sara Costa sente que está “dominada essencialmente pela imagem” reconhecendo que “este tipo de formato literário não chega a muitas pessoas e nunca chegou”, desabafou. Porém, destacou que, “com a vinda do cinema e da televisão, passou a ser uma leitura de segundo formato e só para algumas pessoas”. Quanto à forma de ultrapassar esta situação, diz que os planos educativos deviam aparecer como algo que “promova a literatura de uma forma menos estigmatizada, não como obrigação e mais como um prazer”, o que poderia proporcionar um público mais abrangente.
Sara Costa enquadra «O Sono Extenso» como uma provocação à sua geração, motivada por outros valores que não os deixam encontrar-se consigo mesmos e, muitas vezes, são levados por expectativas que ficam muito aquém da realidade sonhada e desejada.
Por isso, reconhece a necessidade de dar nova vida aos valores para que os jovens os assumam e encontrem a felicidade que tanto procuram, orientadora de uma vida de bem e mais feliz. Aqui se enquadra a carga intimista e metafórica que percorrem os versos da obra agora reconhecida, que, com “ideia atrás de ideia”, foi tomando corpo e deu vida ao seu sonho poético, resposta aos momentos do seu dia a dia em que sente mais necessidade de passar a papel as suas emoções.
O Prémio Literário João da Silva Correia foi lançado em 2006 pela autarquia, visando “promover e consolidar hábitos de leitura e de escrita criativa”.
Com a sua institucionalização, pretendeu “incentivar o aparecimento de novos valores” na cultura e nas artes literárias.

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