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- VIRIATO, Herói da Raça Lusitana -
15-09-2011 | por Carlos Alberto Pereira Dias
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Muitos historiadores se debruçaram, nas suas pesquisas, sobre a figura mítica de VIRIATO, mas pouco conseguiram, especialmente sobre a data e o local do seu nascimento. Julga-se, no entanto, que tenha aparecido na parte ocidental da Lusitânia e que fazia parte das tribos Lusitanas que habitavam do lado do oceano.
Também se escreveu que seria, eventualmente, oriundo dos altos Montes Hermínios (actual Serra da Estrela), mas nenhum autor da antiguidade o menciona como tal.
Asseveram alguns que teria sido pastor, o que outros contradizem, afirmando que a teoria de que teria sido pastor não é a mais correcta. VIRIATO teria sido aristocrata proprietário de cabeças de gado.
O historiador romano Tito Líveo (64 aC - 12 dC.), descreve-o como «um pastor que se tornou caçador e depois soldado, que seguiu o percurso da maioria dos jovens guerreiros - a “iuventos” -, que se dedicavam a fazer incursões para captura de gado, à caça e à guerra».
De acordo com a tradição romana, os antepassados mais ilustres eram, normalmente, pastores, e compara-se VIRIATO àquele que teria sido o pastor mais ilustre que se tornou no rei de Roma, Rómulo.
O grande historiador grego, Diodoro da Sicília (Sec. I aC. ), que também se refere nos seus livros a VIRIATO, afirma que, apesar de pensarem alguns que ele teve uma origem obscura, «demonstrou ser um príncipe». E acrescenta: «Enquanto ele comandava foi mais amado do que alguma vez alguém foi antes dele».
Os Lusitanos que viam nele o seu grande herói, atribuiam-lhe os títulos de “Benfeitor” e “Salvador”, títulos que só eram dados aos reis da dinastia ptolemaica.
Diodoro da Sicília, referindo-se ainda a VIRIATO, descreve-o como um «homem que seguia os princípios da honestidade e trato justo e foi reconhecido por ser exacto e fiel à sua palavra nos tratados e alianças que fez». E continua o mesmo ilustre historiador: «a opinião geral era de que ele tinha sido o mais amado de todos os  líderes lusitanos».
Façamos agora a descrição de VIRIATO como guerreiro.
Dotado de invulgar força, rapidez e agilidade, VIRIATO assumiu, em 147 aC., o comando dos Lusitanos na luta contra o invasor romano.
Sempre coberto de férrea armadura e rodeado de homens que montavam cavalos bem treinados e velozes, conduziu, no curto espaço de oito anos, uma luta de guerrilhas, levando sempre de vencida pretores, procônsules, cônsules e outros chefes militares romanos.

Depois de defender briosamente as suas montanhas, lança-se decididamente numa guerra ofensiva, entrando triunfante na Hispânia Citerior - divisão romana da Península Ibérica - e lança contribuições às cidades que reconhecem o governo de Roma.
Muitos autores atribuem a VIRIATO dois tipos de guerra: “bellum”, quando ele usava um exército regular; e “latrocinium”, quando os combates envolviam pequenos grupos de guerreiros e o uso de tácticas de guerrilha. Para muitos, VIRIATO foi visto como modelo de guerrilheiro.
Continuando na sua sucessão de vitórias, VIRIATO, por volta do ano 147 aC., opõe-se à rendição dos Lusitanos a Caio Vetílio, que os teria cercado no vale de Bétis (na Trudetânia); derrota, mais tarde, os romanos no desfiladeiro de Ronda, onde veio a matar Vetílio; nova vitória, tempos depois, contra as forças de Caio Pláucio; e volta a defrontar e derrotar os romanos que eram chefiados por Caio Nigídio.
Ainda em 147 aC. , surge Fábio Máximo, nomeado cônsul da Hispânia Citerior, que foi encarregado de campanha contra VIRIATO. Aquele militar romano apresentou-se fortemente armado com duas legiões. Travaram-se duras e sangrentas lutas e VIRIATO, após alguns desaires, consegue recuperar, voltando a derrotar os romanos, em 143 aC., escorraçando-os para a região de Córdova.
No ano 140 aC., uma vez mais, VIRIATO enfrenta os romanos, desta vez comandados por Fábio Máximo Servilliano, infligindo-lhes pesada e decisiva derrota, tendo morrido em combate cerca de 3.000 soldados romanos, o que se tornou altamente humilhante para a imponência romana.
Roma, não satisfeita com tamanha humilhação, envia o general Servílio Cipião para combater VIRIATO. E, como narram alguns historiadores, «Cipião renova os combates com VIRIATO, mas este mantém superioridade militar e forçou-o a pedir uma nova paz. VIRIATO, sempre cumpridor dos seus tratados, envia, neste processo, três comissários de sua confiança - Audas, Ditalco e Minuros - para um diálogo de paz com o chefe militar romano.Cipião, aproveitando a oportunidade, recorreu ao suborno dos companheiros de VIRIATO, que assassinaram o grande chefe enquanto dormia.
Após o assassinato, os três foram reclamar o prémio prometido por Cipião. No entanto, este ordenou a execução dos três, tendo estes ficado expostos em praça pública, onde colocaram um cartaz que dizia: Roma não paga a traidores.
A morte de VIRIATO foi um desfecho trágico para os Lusitanos e vergonhoso para Roma, superpotência da época, e que se intitulava arauto da civilização».
Este horrivel acontecimento ocorreu no ano de 139 aC.
Após a morte de VIRIATO, Tântalos, o braço direito do grande chefe, tornou-se líder do exército Lusitano até ser capturado.
Aproveitando-se da fraqueza das hostes lusitanas, com a perda dos seus chefes, os romanos invadiram, sem dificuldades, o nordeste da Península, atravessaram o rio Douro e dominaram a Galiza, começando, então, a grande ocupação romana do extremo ocidental da então Hispânia.


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- CAVA DE VIRIATO, em Viseu -

Ligada à história de VIRIATO está a denominada “Cava de Viriato” que, segundo informações que colhemos em «PORTUGAL PATRIMÓNIO», edição de 2007, vamos procurar descrever:
«Existe no Campo de Viriato, muito próximo a Viseu, um espaço octogonal com cerca de  8 ha., originalmente definido por um talude acompanhado de fosso, com mais de 2 Kms de perímetro, a que deram o nome de “Cava de Viriato”.
As origens deste espaço têm sido motivo de uma ampla controvérsia, devendo-se a sua designação à tese surgida ainda no Sec.XVI, de que terá existido aqui uma praça-forte do caudilho lusitano VIRIATO na sua acção de resistência à invasão romana.
Segundo outra hipótese, o terreiro terá servido de local de recolha de gado na época dos Lusitanos. Todavia, estas antigas interpretações não encontram presentemente defensores, prevalecendo hoje a ideia de que a cava corresponderia ao local de um acampamento romano que terá sido construido no Sec. I aC, durante a campanha de Décius Junius Brutus contra os Galaicos.
No momento presente, apenas se mantêm os taludes de quatro dos lados do polígono, arborizado e com os topos transformados em passeio. Devem ter sido originalmente forrados a pedra e complementados por paliçadas de madeira e torreões. Do lado noroeste ainda é visível uma secção do fosso que contornava a fortificação». (sic)
Defronte à citada “cava” foi erguido um monumento a VIRIATO, duma plasticidade artística muito discutível, mas tentando transmitir à figura heróica do guerreiro Lusitano a verdade da sua força e da sua determinação.
Representa, no seu conjunto escultórieo formado pelo caudilho da independência lusitana e mais cinco figuras de pastores guerrilheiros, uma obra do artista espanhol Mariano Benliure.

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