“Está tudo a postos para o início do ano lectivo”
07-09-2017 | por Joana Gomes Costa
‘O Regional’ – O novo ano lectivo está mesmo à porta… as escolas sanjoanenses estão prontas para receber os alunos?
Dilma Nantes – Este ano não foge à regra e está tudo a postos para que o início do ano lectivo se inicie com tranquilidade e dentro da normalidade, nomeadamente no que depende da Câmara e das escolas de S. João da Madeira, que, como sempre, têm trabalhado em conjunto para que o regresso às aulas aconteça sem sobressaltos.
Dentro do que é competência da Câmara Municipal, nomeadamente no que respeita aos recursos humanos, pessoal docente e não-docente, está também tudo a postos?
As indicações que recebemos das escolas são que, na generalidade, os professores estão colocados, o que resulta em grande medida do bom andamento das tarefas administrativas e pedagógicas desenvolvidas por cada um dos agrupamentos escolares da cidade. Esse trabalho é muitíssimo relevante, pois o mais importante para que o ano lectivo possa arrancar bem é poder contar, desde a primeira hora, com os necessários recursos humanos, quer ao nível dos professores, quer ao nível dos funcionários de acção educativa. No que diz respeito aos assistentes operacionais, estamos a analisar com os agrupamentos o número de funcionários ao serviço para que possamos reivindicar junto da tutela um reforço para onde for necessário.
As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo e as Actividades de Animação e Apoio à Família (AAAF) da Educação Pré-Escolar são também aspectos atempadamente preparados, em articulação com as escolas, sendo essa uma responsabilidade da Câmara. São respostas muito importantes para que as famílias tenham a garantia de que os seus filhos são devidamente acompanhados ao longo de todo o tempo que passam na escola.
No Pré-Escolar, a Câmara garante que os pais paguem uma mensalidade da AAAF inferior ao previsto na legislação em vigor e ao que se pratica noutros concelhos. Para além dos pais pagarem menos, conseguimos garantir o acompanhamento das crianças por profissionais devidamente formados e também oferecer actividades diversas, como a educação física, a dança e a música. São programas dos quais nos orgulhamos.
No que diz respeito ao 1.º ciclo, em S. João da Madeira, ao contrário de outros concelhos, a entidade promotora das AEC é a Câmara Municipal, a pedido dos três Agrupamentos de Escolas. Desta forma, conseguimos arrancar com as AEC no 1.º dia de aulas e fazer uma articulação com a comunidade local que não seria possível com outra entidade promotora. Refiro-me ao envolvimento activo dos ATL da Santa Casa da Misericórdia e Gente Miúda, bem como da Escola de Natação.
Os alunos vão continuar a ter acesso ao ensino da natação?
Sim, é mais um programa que nos orgulha. Todos os alunos de S. João da Madeira têm acesso ao ensino da natação de forma gratuita. Foi um programa iniciado há vários anos na nossa cidade e ainda hoje poucas são as câmaras que o oferecem. Os alunos são transportados em autocarros contratados pela Câmara e as aulas são dadas pelos professores da Escola de Natação e pelos de Educação Física no âmbito das AEC. A percentagem de alunos que começa o programa sem saber nadar é elevada e os resultados, no final, são excelentes.
Nesta altura já é possível ter uma noção da evolução em termo de número de alunos nas escolas do concelho?
Esses números não estão fechados, embora a nossa expectativa seja a de que se mantenha a estabilidade que se vem verificando nos últimos anos. Esta é uma tendência positiva face ao que se verifica em diferentes regiões do país, que vêm registando um claro decréscimo de alunos, o que não acontece em S. João da Madeira.
Este ano o Governo alargou a oferta de manuais escolares a todos os alunos do 1.º ciclo, mas, segundo sabemos esse é um processo que está a ser gerido pelos Agrupamentos?
De facto o Governo alargou a oferta de manuais a todos os alunos do primeiro ciclo. E sim, todo o processo é gerido pelos Agrupamentos. O programa do Ministério não inclui, contudo, as fichas de actividades, cujo custo é similar ao dos manuais. A Câmara irá garantir as fichas aos alunos abrangidos pelos Escalões A e B da acção social escolar.
Que apoios sociais garante a Câmara no âmbito da Acção Social Escolar?
No 1.º ciclo do ensino básico, a Câmara garante, desde logo, os livros de fichas de apoio a todas crianças com escalão A ou B, para que estes alunos com mais dificuldades económicas tenham todos os livros de que necessitam e não apenas os manuais.
Garante ainda uma verba para material escolar, reforçada para os alunos com escalão de apoio.
Temos o serviço de refeições a funcionar sem interrupções e as Actividades de Apoio à Família, no pré-escolar, com preços simbólicos.
A Escola Solidária é um outro programa que reforça o apoio do Governo, destinado aos alunos com mais dificuldades do segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico, bem como do Ensino Secundário. Este programa é perfeitamente inovador – não conheço outra cidade que o tenha.
Habitualmente, no período de férias lectivas a Câmara costuma realizar intervenções de manutenção/reparação ao nível das infra-estruturas escolares. Há alguma intervenção que se destaque?
Todas as intervenções que visam melhorar as infra-estruturas escolares são importantes. Por vezes, mesmo uma pequena reparação faz toda a diferença. Nesse sentido, esta é uma vertente a que temos de estar atentos ao longo de todo ano. A realização de muitos desses trabalhos pode ter implicações ao nível do funcionamento das aulas, pelo que as interrupções lectivas, em particular as férias são um período aproveitado para a realização de várias dessas intervenções mais exigentes. E assim aconteceu igualmente neste verão, oportunidade para se avançar com trabalhos de manutenção e beneficiação dos edifícios escolares, que noutra altura do ano seria difícil poder concretizar tão profundamente.
Tratando-se de edifícios com uma grande actividade e uso diário, o contacto dos coordenadores das escolas com a Divisão de Educação é diário e permanente, sendo que as nossas equipas de pichelaria, electricidade, carpintaria e trolharia têm um trabalho contínuo de manutenção diária. Nesta interrupção foram feitas intervenções mais profundas de impermeabilização de algumas fachadas e coberturas, pinturas e substituição de caixilharias onde tal era necessário. Em Agosto e durante as próximas semanas, são também revistos todos os acessórios nas instalações sanitárias, armários e puxadores de portas, instalações eléctricas, tabelas e redes de vedação. Aproveito para informar que os serviços estão a preparar cadernos de encargos para outras empreitadas para lançamento dos concursos.
Foi também aberto concurso público internacional da requalificação da Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, agora que chegou o parecer favorável da tutela.
S. João da Madeira destaca-se na Educação por projectos inovadores, como o ensino do Mandarim, formação para o empreendedorismo, ou as aulas de Ciências desde o pré-escolar. Este ano, mantêm-se estes projectos? Há novidades?
Essas iniciativas – e outras integradas no Projecto Educativo Municipal – são uma marca forte da aposta do nosso município na Educação e da boa articulação entre a autarquia e as escolas para proporcionar aos alunos a possibilidade de participarem em iniciativas pedagógicas inovadoras. As famílias sabem que essa é uma mais-valia da comunidade educativa sanjoanense e têm sido também importantes aliados nessa afirmação da qualidade das escolas sanjoanenses, designadamente através da acção empenhada das associações de pais. Na verdade, têm-se conseguido em S. João da Madeira um assinalável envolvimento dos encarregados de educação dos nossos alunos, cada vez mais interessados e participativos, contribuindo para o grande dinamismo das nossas escolas.
Aproveito para acrescentar que iremos dar continuidade ao programa de apoio a visitas de estudo. Depois da experiência do ano lectivo passado, todas as Escolas do 1.º Ciclo e Pré-Escolar continuarão a ter acesso a transporte gratuito para visitas de estudo, para todos os alunos da escola.
É também por vontade das famílias que todos os programas referidos se mantêm e aprofundam ano após ano. E 2017/2018 não foge à regra, promovendo uma escola cada vez melhor e mais interligada com a comunidade onde se insere, graças à acção desenvolvida em parceria pelas escolas e Câmara Municipal, com o envolvimento dos pais e encarregados de educação e o interesse dos alunos.
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O arranque do ano lectivo em S. João da Madeira é sempre marcado pela realização das Jornadas da Educação, que é já um evento de referência na região. É importante este espaço – fora do âmbito e do calendário lectivo – para que os profissionais da educação se encontrem, promovendo o debate?
O elevado número de participantes registados em cada edição das jornadas diz bem da importância que os profissionais da educação – de S. João da Madeira e de várias localidades – atribuem a este evento, que constitui um momento de reflexão sobre temas muito concretos e de grande actualidade para o sector. Ao longo de dois dias, diversos especialistas abordam questões da educação contemporânea, as suas complexidades e os desafios que se colocam à escola de hoje. Uma boa maneira de preparar o início do ano lectivo, proporcionando trocas de experiências e debates muito interessantes e participados, o que certamente se reflecte positivamente no ano lectivo que se vai iniciar.


