SECÇÃO: Região Entre Douro e Vouga Incêndios fustigam região por vários dias
Pelo terceiro dia consecutivo, a região do Entre Douro e Vouga foi palco de alguns dos maiores incêndios que se registaram no país. Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis foram os concelhos mais atingidos, com extensas áreas de mata ardida e várias habitações e empresas em risco de serem tomadas pelas chamas. O cansaço é notório entre os bombeiros, que já não têm meios para acudir ao número crescente de solicitações, e as forças escasseiam.
“Há necessidade de se reforçar os meios. Os que temos no terreno estão completamente exaustos, porque estão há mais de 24 horas no combate às chamas”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Hermínio Loureiro. O autarca afirma que os bombeiros “têm feito das fraquezas forças”, mas, ressalva, “estão no limite das suas capacidades”. “Nas últimas 48 horas temos tido vários incêndios em simultâneo”, disse. As situações mais preocupantes viveram-se em Curvais, Pinheiro da Bemposta e encosta de Ossela e Macinhata da Seixa. Os bombeiros combateram três frentes activas de incêndio. Foram deslocados para o local 60 homens e um helicóptero. As chamas consumiram área florestal e ameaçaram, ainda, habitações e instalações agrícolas e industriais, entre as quais alguns aviários, uma fábrica de queijos e a ETAR que serve alguns concelhos do Entre Douro e Vouga. Em Santa Maria da Feira, pelo segundo dia consecutivo, o incêndio de maiores proporções atingiu a zona de Rebordelo e do Inhã, Canedo, e a Freguesia do Vale. Um total de 110 homens e um helicóptero conseguiram dominar o incêndio, que atingiu também a zona do Rio Inhã. Mas foi em Arrifana, no Alto de Santo Estevão, que se viveu uma das situações mais aflitivas do dia de terça-feira, que só não terminou com o incêndio de várias habitações de uma urbanização graças à pronta intervenção dos bombeiros que, apesar de se encontrarem em número muito reduzido devido à falta de meios, conseguiram travar o avanço das chamas, quando estas já se encontravam nos muros dos anexos. O JN apurou que na origem deste incêndio poderá estar uma acção criminosa. Na mata foi visto um frasco de álcool e encontrados outros artefactos que, ao que tudo indica, serviriam para queimar o isolamento dos fios de cobre que têm sido roubados naquela zona. A GNR foi chamada ao local e tomou conta da ocorrência. Mas quando se preparavam para recuperar o frasco, este já não se encontrava no local. Com as chamas a elevaram-se a grande altura junto às habitações, muitos dos proprietários correram para o exterior em desespero, ao mesmo tempo que se retiravam garrafas de gás e outros materiais inflamáveis. Por entre o desespero, as críticas dirigiam-se aos proprietários dos terrenos junto às habitações, que não efectuaram qualquer limpeza dos espaços. “Já tinha avisado o proprietário do terreno para a necessidade de limpar o mato, mas ele não ligou nada”. “Agora vai ter que assumir com as despesas provocadas pelo incêndio”, afirmava Filomena França Vieira, proprietária de uma das habitações que viu as chamas a aproximarem-se perigosamente da sua casa. Minutos depois, Filomena França Vieira caía inanimada perante o estado extremo de ansiedade, tendo sido transportada para o Hospital de S. Sebastião. “Foi tudo muito rápido e cheguei a temer o pior”, afirmou também Aventino Almeida, proprietário de outra habitação.
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