Arquivo: Edição de 29-07-2010
SECÇÃO: Cultura | ||
Gotan Project encerra Festival na segunda-feira, dia 2 Mais de 13 mil pessoas deram as boas-vindas no primeiro dia do Fest-IN. Filas infindáveis aguardaram impacientemente a entrada no local preparado para o efeito, as margens do Rio Ul, onde, a tempo, tudo foi preparado para que nada faltasse aos milhares de pessoas que ali se deslocaram para assistirem aos vários espectáculos. Fátima Silva, a grande mentora do projecto, afirmou à nossa reportagem que, embora tudo fizesse prever a ocorrência de milhares de pessoas para o concerto de Tony Carreira, “a nossa previsão era para 10 mil” e a bilheteira vendeu “cerca de 13 mil só no primeiro dia”, considerou uma abertura em “grande” para este primeiro festival de música em S. João da Madeira. A empresária diz que este, como outros festivais que decorrem no país, esteve sujeito a “ajustes de última hora” e a imprevistos, como aconteceu durante a tarde de sexta-feira: “Durante a colocação de um led, onde o vídeo de abertura do festival era para ser apresentado, aquele caiu e por pouco não atingiu pessoas”. Segundo apurámos, a restauração nos primeiros dias não foi muito procurada pelo público, mas, segundo Fátima Silva, o público alvo dos bares são os mais jovens e “essa procura vai acontecer este fim-de-semana”. A nossa reportagem confirmou no local que, já na véspera do espectáculo, houve fãs que dormiram junto à entrada da “grande sala de espectáculos”, para que pudessem ganhar um lugar junto ao palco e, de perto, pudessem ver o artista que arrasta multidões em Portugal. E assim foi também em S. João da Madeira. Novo disco com uma sonoridade diferente Em entrevista exclusiva a ‘O Regional’, Tony Carreira mostrou-se confiante em que o espectáculo de S. João da Madeira será mais um daqueles “que ficam muito tempo na nossa memória”, pois o público “é muito bom e caloroso”. Quanto às novidades, depois de vinte anos de canções, lembrou que, depois dos anos 80, “porque na música já pouco tinha a inventar”, a preocupação “voltou-se com o som”. Quanto ao novo disco, não levantou muito o véu, “até porque o segredo é a alma do negócio”, mas deixou a certeza de que “vai ter uma sonoridade diferente. Espero que gostem”. Reconhecendo o impulso que lhe é dado por quem gosta das suas músicas, lembrou à nossa reportagem que o segredo do seu sucesso se fica a dever “à paixão que vem do primeiro dia e à entrega total” àquilo que faz, embora, “como em tudo na vida, o factor sorte também seja muito importante”, reconheceu. Ao longo da sua vida, lembrou que várias canções foram pensadas como uma forma de ajudar a mudar o mundo, contribuindo “para coisas e causas muito nobres”. Sendo a segunda vez que esteve na cidade, falou de S. João da Madeira, “sempre em grande crescimento”, e o carinho que tem pelas “pessoas da cidade e da região”. Por fim, lembrou que, em tempo de crise acentuada, “estes festivais são uma forma de ajudar o problema”, ou, pelo menos, “ajudam a esquecer os problemas durante algumas horas”. “Bónus” com bilheteira aberta durante 15 minutos para ver Drive No sábado, o festival continuou com José Cid e os Drive, um novo grupo de Santa Maria da Feira, que já começa a dar que falar, principalmente pela gravação de um dueto com Lúcia Moniz, fizeram a primeira parte do espectáculo do autor da eterna «Cabana junto à praia». A organização, e porque a banda de Santa Maria da Feira não fazia parte do programa inicial, decidiu, durante 15 minutos, “abrir as portas das bilheteiras”, permitindo que as pessoas durante aquele período pudessem assistir gratuitamente ao espectáculo dos Drive. “Foi um bónus da organização a quem se dirigia naquela altura à bilheteira para comprar o bilhete” e como forma de agradecimento “à banda, que veio gratuitamente”. No domingo, o palco foi para os Amália Hoje, um projecto de quatro músicos portugueses que transformaram nove fados da diva portuguesa em canções pop. Em hora e meia de concerto, o grupo deu a volta ao álbum, obtendo do público uma resposta surpreendente, obrigando a banda a subir ao palco três vezes após a primeira despedida. Este projecto iniciou o espectáculo com o tema «Foi Deus», de homenagem a Amália Rodrigues, viajaram pelo «Grito», fado que Amália escolheu ainda em vida para acompanhar as suas cerimónias fúnebres, recordaram as várias línguas em que a fadista cantou, como «L’important c’est la Rose» e terminaram com o «Soledad». Amália foi uma artista invulgar, autêntica e muito portuguesa O grande mentor do projecto, Nuno Gonçalves, defendeu em palco que o projecto Amália Hoje permitiu entre outras coisas dar a conhecer a riqueza das músicas da fadista, mas principalmente que o fado e outros géneros musicais também “fazem sentido sendo cantadas de uma forma diferente”, frisando que a “Amália foi única em Portugal”. Nuno referiu ainda que a Amália foi uma artista “invulgar, autêntica e muito portuguesa, porque conseguia provocar a alegria nas pessoas e nos seus espectáculos”. Estes dois espectáculos contaram com um número reduzido de público, mas não causou surpresa à organização. Fátima Silva diz que eram dois nomes já bastante vistos, e que, no caso particular de José Cid, “tínhamos a consciência” de que não é um nome que “seja chamativo para uma bilheteira que é cobrada”; e o mesmo se aplica neste momento aos Amália Hoje, que “têm percorrido todo o país e ainda a semana passada estiveram no Coliseu do Porto e o espectáculo era gratuito”. A procura dos bilhetes - para hoje, quinta-feira, para o espectáculo de Erick Morillo, Mestiksoul e Sérgio Delgado; para sexta-feira, Xutos e Pontapés, Robbie Rivera e Diego Miranda Invites Liliana e Mark Voxx tem sido; e para sábado, agendado o Ar de Rock com Olavo Bilac, Miguel Gamenro, Zé Manel e outros convidados, Sander Kleinenberg, Funkagenda e vito D’Santi - tem sido “uma verdadeira surpresa e foi sempre uma das nossas grandes apostas”, referiu. Os últimos dois dias, Mariza, dia 1 de Agosto, e o encerramento com Gotan Project, dia 2, são já duas “apostas ganhas”, segundo Fátima Silva, que quer trazer em 2011 a segunda edição do Fest-IN para S. João da Madeira. Recorde-se, no entanto, que os Gotan Project surgiram em 1999 e a banda é constituída pelo francês Phillip Solal, o suíço Cristoph Müller e o argentino Eduardo Makaroff, que se juntaram em torno do tango, reinventando-o para o século XXI. A experiência da banda tem conquistado fãs desde o lançamento em 2000 do álbum «Vuelve al sur», embora o mais conhecido seja «La revancha del tango», que saiu um ano depois. A banda tem esgotado as bilheteiras em Portugal. Tenda VIP inaugurada hoje Hoje vai ser inaugurada a tenda VIP – destinado a figuras públicas que vão acompanhar o evento. O madeirense Luís Jardim foi uma das primeiras figuras públicas a visitar o recinto. Durante os primeiros três dias do evento foi visível a presença de vários vereadores do município sanjoanense. Relativamente à restauração, esta abre portas durante a semana às 16 horas e aos fins-de-semana às 10 horas. O recinto para os espectáculos abre sempre às 20 horas. São cerca de dez os agentes da PSP de S. João da Madeira que se juntam a um forte dispositivo de seguranças (vindos de Lisboa), que acompanham toda a fiscalização do recinto. O local do evento tem apenas uma entrada e uma saída de emergência e todo o recinto está equipado com uma forte instalação de vídeo vigilância. Esta mega produção é organizada pela empresa Fátima Silva Produção de Eventos. Por:
António Gomes Costa | ||