Arquivo: Edição de 15-01-2009
SECÇÃO: Economia | ||
Sanjoanenses procuram ganhar dinheiro com o jogo da bolha/roda A nossa reportagem sondou várias pessoas que estão incluídas no jogo da roda/bolha na Internet para perceber como se processa, mas a sua maioria não quis falar, para “não estragar o negócio”, como afirmou um dos questionados. Acesso facilitado Entrar para uma roda/bolha virtual, chamemos- -lhe assim, é relativamente fácil, segundo o que nos explicou um dos nossos entrevistados que aceitou desvendar este jogo, que ganha cada vez mais adeptos na Internet. Acede-se à página na Internet, faz-se um registo, onde se escolhe um “nickname”, ou seja, uma alcunha para nos identificarmos; depois há que ter um endereço de e-mail válido, por onde vão circular mensagens e divulgar um NIB, onde será feito o depósito do dinheiro, quando a pessoa chegar ao centro da roda/bolha. Mas antes, o registo ou entrada no jogo só fica confirmado depois deste novo elemento fazer o depósito do dinheiro na conta do jogador que nesse momento ocupa o centro da bolha//roda. Tem 24 horas para fazer esse depósito e ainda que enviar um comprovativo da transferência bancária. Na Internet, pelo menos em alguns sites, não há a obrigatoriedade de se aliciar outros dois jogadores a entrarem na roda/bolha, para fazerem os restantes elementos subirem na hierarquia, em direcção ao centro, posição na qual se recebe o dinheiro, depois de todos os espaços abaixo desse lugar estarem preenchidos. Segundo o nosso entrevistado, que não quis que revelássemos o nome verdadeiro, mas vamos-lhe atribuir o nome fictício de “José”, o factor sorte tem mais influência aqui do que nas rodas/bolhas reais, pois o jogador pode muito bem entrar na bolha/roda e esperar que outras pessoas vão preenchendo esses espaços, chegadas à página na Internet por publicidade ao “esquema”. Mas quem garante que há pagamento final? Para “José”, jogar na bolha/roda “é um enorme gesto de solidariedade, porque as pessoas dão dinheiro umas às outras”, defendeu. Aliás, este jogador até referiu que a origem do jogo da bolha/roda terá surgido na Irlanda, com o objectivo de ajudar instituições de caridade e pessoas com dificuldades financeiras, informação que “O Regional” não conseguiu confirmar. Agora é que o conceito da bolha está alterado, explicou, mais no sentido de se “obter dinheiro fácil” do que ajudar quem precisa. Mas, ao contrário das rodas reais, em que as pessoas se conhecem e se encontram para fazer a roda/bolha ser preenchida por novos elementos, estes jogos na Internet não dão muitas garantias de que no final se possa receber o dinheiro. De todos os jogadores com quem a nossa reportagem falou que jogavam na Internet, ninguém ainda tinha chegado ao centro e, por isso, recebido o dinheiro. “É claro que não partimos do princípio de que vão agir de má fé”, mencionou “José” em relação à equipa que faz a gestão dos jogos na Internet. Mas que há perigos, há, o próprio admite que quando se recebe o NIB da pessoa que está no centro da bolha, ninguém lhe garante que esse NIB é mesmo dessa pessoa ou de alguém que “distribui” os jogadores. A regra para “José” é esperar para ver e como o montante em causa – 50 euros – não é dos mais elevados, o nosso entrevistado decidiu arriscar. Por outro lado, se conseguir, efectivamente, receber o dinheiro, quando a sua bolha estiver completa são 400 euros que põe ao bolso. Nas rodas/bolhas reais, a parada pode chegar aos 10 mil euros por jogador. Foi este o valor mais alto que O Regional conseguiu apurar que circula em S. João da Madeira. Correr atrás do investimento Navegando por blogs, sites e fóruns da Internet, o tema do jogo da bolha gera muita discussão. Ponto assente é que é um jogo de risco e só joga quem quer. A grande questão, neste momento, parece ser a saturação do jogo, ou seja, quando a febre da bolha passar e os “esquemas” pararem. Aí haverá alguém a sair sem o dinheiro. “José” salientou que o perigo é mesmo esse e que uma roda obriga a que os seus elementos estejam em constante movimento, sempre à procura que a roda receba novos jogadores e chama a isso correr atrás do investimento. Para “José”, o risco de uma roda presencial parar acontece “quando há falta de organização” de quem gere a bolha/roda, que não consegue motivar os restantes elementos a fazerem a sua parte, ou seja, trazer novos jogadores. Mas isto nas rodas/bolhas presenciais, nas da Internet o cenário muda. Sem a obrigatoriedade de angariar novos elementos, os jogadores arriscam a estar vários meses à espera até a roda estar completa ou então nunca chegar ao centro, ficando sem o dinheiro inicialmente investido. Pode haver sempre a tendência para pedir a amigos que entrem nestas rodas na Internet para que elas se fechem, mas, por exemplo, no caso do eurobubles.net a colocação de jogadores é aleatória, segundo informa o site, pelo que não fica garantido, por exemplo, que aqueles elementos que angariamos possam ser encaminhados para a nossa roda/bolha. Um dos nossos entrevistados dizia que “a facilidade com que se passa a ideia de que é fácil ganhar dinheiro com a roda, faz com que muitas pessoas se precipitem”, na entrada para estes jogos online. Ana Luísa Tavares | ||
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