Semanário • Director: Manuel Pereira da Costa • Administrador: José da Silva Pinho
O RegionalJornal de EspinhoArrifanenseRádio Regional
Pesquisa 

Arquivo: Edição de 01-12-2007

SECÇÃO: Local

Assaltos e vandalismo deixam sanjoanenses inseguros

foto
Os assaltos vão-se multiplicando em S. João da Madeira e os estabelecimentos comerciais continuam a ser o prato preferido dos assaltantes. Uma situação que, segundo os sanjoanenses, se não for travada, pode abrir caminho a um permanente ambiente de medo, que parece já estar a começar a instalar-se entre a população. A voz de alguns comerciantes reclamam mais forças policiais nas ruas e na cidade. No entanto, a PSP continua a afirmar que não existe motivo para alarme.
A PSP de S. João da Madeira diz que não existem motivos para alarme nem preocupação com a onda de vandalismo que se tem sentido na cidade. Ao contrário, os comerciantes e habitantes, que começam a sentir-se intimidados e receosos com as notícias que, diariamente, vão surgindo sentem que, acontecendo aos outros, a qualquer momento, também pode chegar a sua vez. O medo parece começar a passear-se pelas ruas citadinas e os bens, ainda que bem guardados, não escapam aos larápios, principalmente, em estabelecimentos comerciais.
Uma violência que parece não parar. Basta recordar que na última semana, dia 21, mais um café foi assaltado em S. João da Madeira e que, recentemente, uma mulher, de 52 anos, foi assaltada e sequestrada junto ao museu da Chapelaria, tudo por 24 euros que tinha na carteira. A juntar a tudo isso, podemos recordar os vários assaltos ao snack-bar Visconde, os sem fim com que tem sido brindado o Centro Infantil (IOS), algumas garagens e muitos que a nossa reportagem teve conhecimento, que não são objecto de qualquer participação às autoridades.
António Manuel é morador em S. João da Madeira há 10 anos. Ficou viúvo e veio para casa da filha e, confessa, que até que gosta da cidade e já tem um bom leque de amigos com quem normalmente faz umas caminhadas. Mas, confirma, que, nos últimos tempos, a onda de assaltos de que tem conhecimento o faz ter medo de andar só e, refere, um dos locais por onde passava com alguma frequência, junto das galerias “do túnel”, é o espaço onde foram assaltadas, na última semana, duas casas comerciais. “Chegando o fim da tarde, que agora é cedo, tenho medo de lá passar, pois é escuro”. Manuel afirma que essa zona é frequentada por “jovens delinquentes”, que se escondem no túnel, “a fazer não sei o quê”, causando distúrbios, com muita regularidade, e afirma que entre eles existem sempre caras novas, podendo indiciar que muitos devem ser de outras cidades. Conta que já por diversas vezes viu passar por ali a polícia, mas que nem “isso os intimida e eles também não podem fazer grandes milagres com a lei que temos que, no fundo, os impede de trabalhar…”
Tal como António Manuel, também Laura Oliveira se sente pouco segura na cidade, sobretudo à noite. Mora há mais de vinte anos na cidade e “só agora começo a ter medo.” Explica que, “desde que soube que um senhor de anos 46 anos foi atacado nas galerias Avenida por um grupo de rapazes, agora, até um simples olhar de um desconhecido, assusta-me”, o que “é terrível para uma cidade, em que as autoridades afirmam não existir muitos casos de violência”.
Segundo o chefe Coutinho, da PSP de S. João da Madeira, “não existem motivos para alarme”, mas entende a preocupação das pessoas, já que, refere, “estamos numa pequena localidade, onde as notícias se espalham mais” mas, garante, “a polícia está atenta”. O Regional conseguiu apurar que, nos últimos anos, os furtos na cidade diminuíram em mais de metade e o mesmo aconteceu em relação aos roubos.
Dados recentes, tornados públicos por fontes policiais, davam conta que tudo mudou com a entrada do novo Código de Processo Penal, que entrou em vigor a 15 de Setembro. Deram, como exemplo, que, nessa altura, a média de detenções em Lisboa rondava as 120 por semana, nas cinco divisões. Agora, a média baixou para pouco mais de 20. Com a lei anterior, os suspeitos eram detidos e seguiam da esquadra para os calabouços do comando da PSP, antes de serem conduzidos ao Tribunal de Instrução Criminal. O polícia que fizera a detenção não era inquirido porque, em vez do actual julgamento sumário previsto para crimes até cinco anos de prisão, os suspeitos eram levados a primeiro interrogatório judicial.

Por: António Gomes Costa

Tempo de leitura: 4 m
Imprimir Artigo
Enviar por Email
Comentário Privado
Comentário Publico
Adicionar Favoritos

Votar:
Resultado:
27 Votos

Diga o que pensa sobre este texto. O seu comentário será publicado online após aprovação da redacção.

GosteiConcordo
Comentários
NomeEmail
Código de VerificaçãoInsira os algarismos da figura
 
Símbolo de AcessibilidadeEste sítio foi preparado para ser acessível aos utilizadores com necessidades especiais.
© 2009Jornal O Regional | Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt